Quarta-feira, 28 de outubro de 2026 · São Paulo
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Raízen fecha acordo de R$ 22,4 bi com a União e abate R$ 8,5 bi

A empresa renegociou dívidas tributárias com o governo federal, obtendo descontos e utilizando créditos fiscais para quitar os valores.

Em resumo

  • Raízen fechou acordo de R$ 22,4 bilhões com a União para renegociar tributos.
  • Desconto de R$ 8,5 bilhões foi concedido em multas e juros.
  • Empresa usará R$ 5,7 bilhões em créditos fiscais e pagará R$ 2,5 bilhões à vista.

A Raízen anunciou nesta quarta-feira (28) um acordo com a União para renegociar R$ 22,4 bilhões em dívidas com o governo federal relativas a tributos de empresas do grupo. O acordo, negociado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Receita Federal, prevê um desconto de R$ 8,5 bilhões em multas e juros sobre a parte da dívida que cabe à companhia pagar. Do total negociado, cabe à Raízen arcar com R$ 16,7 bilhões. Os outros R$ 5,7 bilhões ficam, em última instância, sob a responsabilidade dos acionistas que controlam a companhia, conforme as regras aplicáveis.

Com os descontos, a parte da dívida que cabe à Raízen cai de R$ 16,7 bilhões para R$ 8,2 bilhões. Para quitar esse valor, a empresa utilizará R$ 5,7 bilhões em créditos fiscais ligados a prejuízos acumulados e pagará os R$ 2,5 bilhões restantes à vista.

Prejuízos fiscais são perdas apuradas no cálculo dos tributos. Dentro das regras previstas em lei, essas perdas podem ser usadas para reduzir o valor dos impostos a pagar. Nesse caso, a Raízen usará créditos ligados a esses prejuízos para quitar parte da dívida negociada, em vez de pagar todo o valor em dinheiro.

O comunicado não detalha como será paga a parte da dívida que cabe aos acionistas controladores, também de R$ 5,7 bilhões. Apesar de os valores serem iguais, essa parcela é diferente dos créditos fiscais que a Raízen utilizará para pagar parte de sua própria dívida.

Reorganização das finanças

O acordo com a União faz parte da reorganização das finanças da Raízen, que enfrenta dificuldades para administrar suas dívidas. Segundo a empresa – assessorada pela Alvarez e Marsal, Bichara Advogados e Demarest Advogados – concluir essa negociação é uma das condições para colocar o plano de reestruturação em prática. Em março, a companhia pediu recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras, além de valores devidos entre empresas do próprio grupo. Em julho, a Justiça de São Paulo aprovou o plano, que prevê a renegociação de aproximadamente R$ 61,4 bilhões com bancos e investidores.

A recuperação extrajudicial permite que uma empresa negocie diretamente com seus credores os prazos e as formas de pagamento das dívidas. Quando o plano obtém o apoio mínimo exigido por lei e é aprovado pela Justiça, suas condições passam a valer também para os credores incluídos na negociação que não aceitaram o acordo individualmente. No caso da Raízen, o plano também prevê a possibilidade de trocar parte das dívidas por participação na empresa, obter novos recursos com um aumento de capital e vender bens e negócios. O acordo sobre tributos inclui nesse processo a negociação de dívidas com o governo federal.

São negociações diferentes: a recuperação extrajudicial trata das dívidas financeiras com credores; o acordo com a União define as condições para pagar as dívidas relativas a tributos incluídas na negociação.

Situação financeira

A situação financeira da Raízen piorou nos últimos anos com a combinação de investimentos elevados, problemas climáticos que prejudicaram as safras de cana-de-açúcar e variações nos preços do açúcar. Os juros altos também aumentaram o custo das dívidas. No fim de dezembro de 2025, a dívida líquida da companhia chegou a R$ 55,3 bilhões. No terceiro trimestre da safra 2025/26, encerrado no mesmo mês, a empresa registrou prejuízo de R$ 15,6 bilhões. Do prejuízo total, R$ 11,1 bilhões vieram de uma redução no valor de parte dos bens e direitos da companhia registrada no balanço. Sem esse ajuste contábil, o prejuízo teria sido de aproximadamente R$ 4,5 bilhões.

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