Sexta-feira, 6 de novembro de 2026 · São Paulo
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PL deve abrir mão de disputar presidência da Câmara dos Deputados

Partido tende a apoiar reeleição de Hugo Motta e focar esforços na disputa pela presidência do Senado Federal.

Em resumo

  • O PL deve abrir mão da disputa pela presidência da Câmara dos Deputados e apoiar Hugo Motta.
  • A prioridade do partido passa a ser a disputa pelo comando do Senado com Rogério Marinho.
  • O receio de isolamento e a perda de comissões pesaram na decisão da legenda.

O PL deve abrir mão de disputar a presidência da Câmara dos Deputados, atualmente ocupada por Hugo Motta, do Republicanos. A tendência, segundo apuração do analista de política da CNN Pedro Venceslau ao Hora H, é que o partido formalize o apoio à reeleição de Motta em uma reunião marcada com a bancada eleita.

O plano original do PL previa eleger o presidente da casa, com dois nomes em pauta: Altineu Cortes e Sóstenes Cavalcante. Essa estratégia, no entanto, foi traçada em um contexto diferente, quando Flávio Bolsonaro aparecia nas pesquisas como favorito, o que representava outra correlação de forças para o partido.

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Prioridade é o Senado

O PL reconhece que não tem força política para ocupar a presidência das duas casas simultaneamente. Diante disso, a prioridade passou a ser o Senado, onde Rogério Marinho vislumbra a possibilidade de construir um arco de alianças com parte do Centrão.

Segundo Pedro Venceslau, três deputados federais, em conversas reservadas, confirmaram que a tendência é que o partido formalize o apoio a Hugo Motta e desista da disputa pela presidência da Câmara. O temor do PL é reforçado por um episódio anterior que deixou marcas no partido.

Quando Rogério Marinho decidiu disputar a presidência do Senado contra Rodrigo Pacheco, o PL perdeu e ficou fora da mesa diretora, além de praticamente exilado das principais comissões do Senado por cerca de dois anos. O partido só retomou protagonismo após apoiar Davi Alcolumbre em um segundo momento.

Risco de isolamento na Câmara

O cenário atual na Câmara é igualmente desfavorável para o PL. O Centrão se antecipou e construiu uma grande coalizão em torno de Hugo Motta, reunindo a maioria dos partidos. Mesmo contando com aproximadamente 120 deputados, o PL corre o risco de ficar isolado caso insista em lançar uma candidatura própria.

“O temor do PL agora é que lançar uma candidatura serviria apenas para marcar posição”, afirmou Venceslau. As consequências práticas do isolamento também pesam na decisão. Sem apoiar Hugo Motta, o PL ficaria no fim da fila para presidir comissões importantes — entre elas, a Comissão de Constituição e Justiça, que Nikolas Ferreira gostaria de presidir.

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Apesar de a bancada ter tamanho suficiente para pleitear o cargo pela proporcionalidade, o apoio ao presidente da casa é condição determinante para garantir esse tipo de espaço. Não há resistências significativas dentro da bancada em relação à proposta de desistência, e os dois pré-candidatos já aceitaram a dificuldade de enfrentar o Centrão.

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