Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo

Oliveiras destruídas e lavouras bloqueadas por tropas israelenses em Gaza

Agricultores enfrentam colapso na produção de azeite devido à destruição de pomares e restrições de acesso impostas pelo conflito na região.

Em resumo

  • Apenas 150 mil oliveiras restam em Gaza, de um total de 2 milhões que existiam antes do conflito.
  • A produção de azeite caiu para 700 toneladas, ante as 5 mil habituais, elevando o preço do barril para cerca de US$ 500.
  • Apenas sete prensas de azeite operam atualmente no território, enquanto cerca de 40 funcionavam antes da guerra.

O agricultor palestino Haidar Abu Middain, de 60 anos, levanta um galho ressecado de uma oliveira caída sobre o solo árido do que antes era um próspero pomar na região central de Gaza. A propriedade da família, que ocupava 900 dunums — cerca de 90 hectares —, costumava ser repleta de oliveiras carregadas. A família participava da colheita de aproximadamente 1.500 toneladas de azeitonas, que resultavam em até 900 tambores de 16 litros de azeite.

Atualmente, quase metade do pomar está além da “linha amarela”, área vigiada por tropas israelenses que bloqueiam o acesso dos palestinos a dois terços da Faixa de Gaza. A outra metade, embora acessível, foi majoritariamente destruída por tratores. Apenas 20 ou 30 árvores permanecem de pé, com uma estimativa de produção de apenas dois tambores de azeite, volume insuficiente para as necessidades da própria família.

“Antes da guerra, a colheita era uma bênção; era o suficiente para garantir o sustento de nossas famílias”, afirmou Abu Middain. “A produção daqui costumava ser suficiente para abastecer toda a região central, tanto com azeite quanto com azeitonas.”

Impacto na produção local

Antes do conflito, as azeitonas eram um símbolo da agricultura de Gaza, base da dieta local e com excedente exportado para Israel. Autoridades agrícolas estimam que, das 2 milhões de oliveiras existentes no território, restem apenas 150 mil. A previsão para a colheita atual é de 5 mil toneladas de azeitonas, ante as 40 mil habituais, gerando apenas 700 toneladas de azeite, contra as 5 mil produzidas normalmente.

A escassez elevou os preços no mercado, que chegam a ser três vezes maiores do que antes da guerra, atingindo cerca de US$ 500 por barril. Imad al-Ajrami, de 33 anos, relata que o valor está acima do que as famílias locais podem pagar. Apenas sete prensas de azeite continuam em operação, frente às 40 existentes anteriormente. Fawaz Zidan, proprietário de uma prensa em Deir al-Balah, lamenta: “Comparado aos anos anteriores à guerra, é como se não restasse nada. Não há azeitonas; tudo foi arrasado por tratores, as azeitonas desapareceram”.

Em Deir al-Balah, uma das poucas áreas declaradas como “zona segura” pelas forças israelenses, famílias ainda tentam realizar a colheita. Ahmed Khader, de 38 anos, que trabalhava por meses na temporada, agora se sente grato por conseguir uma única diária. “Mas ainda precisamos garantir o sustento dos nossos filhos, colocar algo para eles comerem; queremos tentar ganhar o nosso pão de cada dia”, concluiu.