Segunda-feira, 26 de outubro de 2026 · São Paulo

Movimento liderado por estudantes derrota partido governista na Sérvia

O líder nacionalista Aleksandar Vucic reconheceu a derrota nas eleições legislativas antecipadas realizadas neste domingo.

Em resumo

  • Partido governista da Sérvia perdeu eleições legislativas antecipadas para estudantes.
  • Aleksandar Vucic reconheceu a derrota na sede do Partido Progressista Sérvio em Belgrado.
  • Votação registrou a maior participação em eleições legislativas no país em 30 anos.

O partido governista da Sérvia perdeu as eleições legislativas antecipadas deste domingo (25) para um movimento de protesto liderado por estudantes, reconheceu o líder nacionalista Aleksandar Vucic.

"A julgar por uma amostra estratificada, está claro que perdemos estas eleições", disse Vucic a apoiadores na sede do Partido Progressista Sérvio (SNS), em Belgrado.

O anúncio provocou uma explosão de alegria na capital sérvia. A votação registrou a maior participação em eleições legislativas no país em 30 anos, segundo as informações divulgadas durante a apuração. O movimento estudantil buscava derrotar o partido de Vucic, que está no poder desde 2012.

Às 18h no horário local, duas horas antes do fechamento das urnas, a participação era de 64,89%, segundo Branko Josipovic, diretor do Escritório Nacional de Estatística.

"Eu me sinto incrível. Sinto como se, finalmente, vivesse em um país livre", disse à agência France Presse (AFP) a estudante Mila Martic.

As eleições antecipadas foram convocadas após quase dois anos de manifestações contra o governo. Os protestos começaram depois que uma marquise da estação ferroviária de Novi Sad, a segunda maior cidade da Sérvia, desabou em 2024, matando 16 pessoas. Manifestantes atribuíram o acidente à corrupção e à falta de fiscalização.

O episódio desencadeou a maior onda de protestos no país desde a queda do líder Slobodan Milosevic, em 2000. Esta foi a primeira vez desde 2012 que o partido de Vucic enfrentou a possibilidade de perder o governo. Apesar do resultado, a forte polarização política mantém o risco de um novo período de tensão no país.

No mês passado, Vucic, então presidente da Sérvia, dissolveu o Parlamento e convocou eleições antecipadas, uma das principais reivindicações do movimento de protesto. Dias depois, renunciou à Presidência para poder disputar a eleição, com a expectativa de assumir o cargo de primeiro-ministro.

Para enfrentar Vucic, o movimento estudantil se organizou como uma força política heterogênea. A lista única de candidatos não tinha uma liderança de destaque e reuniu representantes da sociedade civil com um objetivo em comum: derrotar o SNS.

Durante a campanha, Vucic se apresentava como o único capaz de garantir a soberania da Sérvia no cenário internacional. O líder defendia relações próximas tanto com a União Europeia (UE) quanto com a Rússia e os Estados Unidos.

A lisura do processo eleitoral, no entanto, foi questionada por organizações da sociedade civil. Vinte e quatro ONGs sérvias afirmaram que não estavam reunidas as condições para a realização de eleições "livres e justas". Os estudantes organizaram uma rede de voluntários para acompanhar a votação e complementar o trabalho dos observadores internacionais.

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