Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo
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Mercado de panificação cresce no RJ, mas setor sofre com falta de mão de obra qualificada

Setor encerrou 2025 com alta de 4,1% nos empregos formais, mas empresários relatam dificuldade para encontrar padeiros e confeiteiros experientes.

Em resumo

  • O setor de panificação no Rio de Janeiro registrou 46.216 empregos formais ao final de 2025, um aumento de 4,1% sobre o ano anterior.
  • Empresários enfrentam dificuldades para contratar padeiros e confeiteiros experientes, focando agora na qualificação profissional.
  • A Firjan SENAI Caxias inaugurou uma escola com 19 cursos para formar até 300 profissionais por ano e atender à demanda do mercado.

O mercado de panificação e confeitaria no Rio de Janeiro encerrou o ano de 2025 com 46.216 empregos formais, registrando um crescimento de 4,1% em relação ao ano anterior. Apesar da expansão, o setor enfrenta um desafio significativo na busca por profissionais qualificados, especialmente padeiros e confeiteiros que possuam experiência prática e domínio técnico.

Crescimento na Baixada Fluminense

Na região de Caxias, que compreende os municípios de Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Magé e Guapimirim, foram contabilizados 3.678 vínculos formais, um aumento de 3,9% na comparação com 2024. Os dados, provenientes de um levantamento do Observatório Firjan, apontam que esses cinco municípios concentram 605 estabelecimentos do ramo.

Desafios na contratação

Para Rubens Souza, sócio da Padaria Aliança, em Duque de Caxias, encontrar profissionais preparados para as exigências da produção é um dos principais obstáculos. O estabelecimento, que conta com cerca de 64 funcionários, busca candidatos com conhecimento em segurança dos alimentos, responsabilidade e facilidade para o trabalho em equipe. Segundo o empresário, investir na formação interna é uma estratégia para melhorar a produtividade e reduzir desperdícios.

“O futuro do setor de panificação depende não apenas de bons equipamentos e bons produtos, mas também de pessoas qualificadas. Precisamos valorizar os profissionais, incentivar a formação e criar oportunidades para que mais pessoas ingressem na panificação e construam uma carreira”, afirma Rubens Souza.

A importância da formação técnica

A trajetória de Joaquim Vicente Silva Alves, de 48 anos, exemplifica como a qualificação pode impulsionar a carreira. Após iniciar na área aos 9 anos e realizar cursos no Senai, ele chegou a cargos de liderança. Atualmente, como coordenador de Serviços e Atendimento ao Cliente na Bunge, ele reforça que a base técnica foi fundamental para sua trajetória profissional.

“Acredito que a formação profissional fez 100% de diferença em todas as oportunidades que conquistei. Sem a base técnica que recebi no início da carreira e o complemento em Gestão Comercial que busquei depois, eu não teria chegado à posição de liderança em uma multinacional como a Bunge”, diz Joaquim.

Iniciativas de qualificação

Para suprir a demanda, a Firjan SENAI Caxias inaugurou em outubro uma Escola de Panificação e Confeitaria. O espaço tem capacidade para atender 80 alunos por dia e oferece 19 cursos, com a meta de formar 300 profissionais anualmente em áreas como fermentação natural, doces finos e decoração de bolos.

Remuneração e perfil das vagas

Quanto aos salários, dados do Indeed de setembro de 2026 indicavam uma média mensal de R$ 2.352 para padeiros e R$ 2.445 para confeiteiros na cidade do Rio de Janeiro. Contudo, os valores variam conforme a convenção coletiva e a região. Além disso, o levantamento da Firjan aponta que, entre 2022 e 2025, os postos de trabalho ligados à operação industrial cresceram 30% no estado, evidenciando a necessidade de profissionais preparados para lidar com processos produtivos complexos.