Segunda-feira, 26 de outubro de 2026 · São Paulo

Ibovespa despenca após reeleição de Lula e ações caem até 58%

Principal índice da B3 fechou em queda de 13,88% em um pregão marcado por extrema volatilidade e disparada do dólar.

Em resumo

  • O Ibovespa caiu 13,88% e fechou aos 176.608 pontos após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
  • Magazine Luiza liderou as perdas do índice com queda de 58,23%, seguida por Vamos e Hapvida.
  • O dólar encerrou o dia com alta de 8,21%, cotado a R$ 5,4027, beneficiando ações de exportadoras.

A bolsa brasileira teve um pregão de forte turbulência nesta segunda-feira (26), após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Ibovespa, principal índice da B3, caiu mais de 10% nos primeiros minutos de negociação e acionou o circuit breaker. No fechamento do dia, o índice caiu 13,88%, aos 176.608 pontos. A reação refletiu a surpresa de parte dos investidores com o resultado das urnas e a revisão das expectativas para a condução da política econômica, os juros e as contas públicas.

Entre as ações com maiores perdas, Magazine Luiza liderou a lista, com queda de 58,23%, seguida por Vamos (-56,79%) e Hapvida (-54,93%). Papéis de empresas ligadas ao consumo, ao varejo e ao mercado imobiliário também registravam baixas expressivas.

“O pregão desta segunda-feira foi marcado por extrema volatilidade e forte aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro, refletindo a reprecificação dos ativos após a definição do cenário político”, afirma Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

Grandes bancos e Petrobras caem

A onda de perdas na bolsa atingiu também algumas das maiores empresas do mercado brasileiro, cujas ações têm peso relevante no Ibovespa. Conhecidos como “blue chips”, esses papéis incluem os de grandes bancos, da Petrobras e da Vale, mas tiveram desempenhos diferentes no pregão desta segunda-feira.

Entre os bancos, o Banco do Brasil registrou a maior queda, de 27,31%. As ações preferenciais do Bradesco recuaram 21,70%, enquanto as ordinárias caíram 20,65%. O BTG Pactual perdeu 24,83%, e o Itaú Unibanco teve baixa de 13,66%. A Petrobras também fechou em queda, com recuo de 8,18% nas ações preferenciais e de 6,81% nas ordinárias.

Dólar favorece exportadoras em dia de turbulência

Entre as ações que fecharam em alta nesta segunda-feira, a Suzano teve um dos melhores desempenhos, com valorização de 10,08%. A Embraer subiu 8,89%, a WEG avançou 5,10%, e a Klabin ganhou 3,24%. A Vale também encerrou o pregão no positivo, com alta de 4,01%. Parte desse desempenho pode ser explicada pela alta do dólar, que encerrou o dia com alta de 8,21%, cotado a R$ 5,4027. Na sexta-feira (23), a moeda americana estava cotada a R$ 4,99.

Segundo João Daronco, analista da Suno Research, empresas que recebem parte de suas receitas em moeda estrangeira podem se beneficiar quando a cotação da moeda americana sobe, já que esses valores, convertidos em reais, passam a representar mais dinheiro. “Com a alta substancial do dólar e a perspectiva de que ele continue subindo, essas companhias conseguem diluir o custo fixo e melhorar suas margens”, afirmou.

O movimento, porém, não favorece todas as empresas. Daronco também destacou o impacto da alta dos juros futuros sobre companhias mais endividadas. Com a revisão das expectativas para a economia, as taxas de juros de longo prazo subiram, o que pode encarecer o financiamento e prejudicar empresas que dependem de crédito. Essas companhias vinham se beneficiando de condições de financiamento mais favoráveis.

Para Daronco, as oscilações devem continuar nos próximos dias e semanas, enquanto o mercado avalia os desdobramentos do resultado eleitoral. Sob esse cenário, o analista recomenda cautela. “Em dias como este, muitas vezes, o melhor é não se mexer”, disse.

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