Sábado, 24 de outubro de 2026 · São Paulo

Ex-jogadoras da seleção incentivam alunas em escolas do Rio

Programa Pioneiras nas Escolas levou craques históricas para conversar com estudantes da rede pública na última quarta-feira (21).

Em resumo

  • Ex-jogadoras da seleção participaram do programa Pioneiras nas Escolas no Rio de Janeiro.
  • Mais de 100 alunas lotaram um auditório para conversar com Caju, Fia e Pelezinha na última quarta-feira (21).
  • O projeto integra ações voltadas à preparação para a Copa do Mundo feminina de 2027.

Na tarde da última quarta-feira (21), o campo de futebol da escola municipal Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa, região central do Rio de Janeiro, estava ocupado apenas por garotas para a disputa de um minitorneio sob os olhares de ex-jogadoras da seleção brasileira, enquanto os meninos assistiam apenas da arquibancada. A atividade marcou a abertura do programa Pioneiras nas Escolas, iniciativa que leva craques de décadas passadas para unidades da rede pública municipal de ensino.

Antes da disputa no campo, mais de 100 alunas lotaram um auditório para interagir, fazer perguntas e tirar fotos com as ex-jogadoras Marisa Pires, Maria Lúcia Lima e Marilza Martins, conhecidas respectivamente como Caju, Fia e Pelezinha. As estudantes ouviram histórias de motivação e aprenderam sobre as dificuldades enfrentadas pelas pioneiras, que vestiram a camisa da seleção poucos anos após o fim da proibição legal do esporte para mulheres, que vigorou de 1941 a 1979 com base no Decreto-Lei 3.199, restringe a participação feminina em modalidades consideradas incompatíveis com a natureza.

A proibição surpreendeu a estudante Nicoly Melo, de 12 anos. “Por que não podiam?”, questionou ela. Após ser liberado em 1979 e regulamentado em 1983, o futebol feminino viu sua primeira seleção disputar uma competição experimental em 1988 na China, país que sediou a primeira Copa do Mundo da categoria três anos depois. Nos Jogos Olímpicos, a modalidade estreou em 1996 em Atlanta, nos Estados Unidos.

Desafios e preconceito no esporte

Fia, hoje com 62 anos, relatou às alunas que o machismo era marcante na época e que superava o preconceito confiando em sua própria habilidade. “Sempre joguei com menino. Tinha talento. Não queria saber de machismo”, contou a ex-atleta, que atuou por cinco anos na seleção, sagrou-se tricampeã continental e disputou a primeira Copa e a primeira olimpíada. A ex-zagueira Caju, de 60 anos, integrou a seleção de 1988 a 1999, acumulando 43 jogos e 34 vitórias, e relembrou provocações que ouviu em campo. “Vários torcedores diziam que mulher não servia para jogar futebol”, afirmou. “Aquelas palavras mexiam com nosso ego, e a gente queria, mais e mais, mostrar que mulher sabe jogar futebol”, completou a atual árbitra.

O projeto Pioneiras nas Escolas é coordenado por Duda Luizelli, ex-jogadora que passou pela seleção, pelo Internacional de Porto Alegre e pelos clubes italianos Milan e Verona. Para ela, o projeto reforça que as mulheres devem acreditar em suas capacidades com foco nos estudos. “O estudo é muito importante porque, mesmo quem for ser atleta, jogadora de futebol, de vôlei, de basquete, terá uma carreira muito curta. Com 38, 39 anos, acabou a nossa carreira e nós temos que dar uma continuidade”, destacou a bicampeã sul-americana.

Educação e legado olímpico

A Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro é parceira da iniciativa. Desde 2012, a escola Juan Antonio Samaranch funciona como Ginásio Experimental Olímpico (GEO), oferecendo ensino integral associado a práticas esportivas para cerca de 600 estudantes de 11 a 15 anos, contando com professores e treinadores de 19 modalidades. O modelo, iniciado durante a preparação para os Jogos Rio 2016 como legado olímpico, possui atualmente 12 unidades na cidade.

Caroline Guedes, coordenadora de Projetos Integradores da SME, pontua que o programa se conecta com a preparação do Rio de Janeiro para atuar como uma das oito cidades-sedes da Copa do Mundo feminina, programada para ocorrer entre junho e julho de 2027. Para Letícia Pereira, de 15 anos e aluna do 9º ano, a visita representou um privilégio por evidenciar que a prática esportiva proporciona um futuro promissor, garantindo que marcará presença nas partidas do torneio no próximo ano.

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