Quinta-feira, 29 de outubro de 2026 · São Paulo
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Eleições de meio de mandato nos EUA: como funciona o sistema eleitoral

As midterms renovam quase todo o Congresso americano em 3 de novembro, seguindo regras diferentes do Brasil.

Em resumo

  • As eleições de meio de mandato (midterms) nos EUA ocorrem em 3 de novembro de 2026.
  • Estão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 vagas do Senado.
  • Pesquisas apontam alta desaprovação de Trump e projeções indicam avanço democrata.

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, serão realizadas em 3 de novembro. A votação renova quase todo o Congresso americano, mas segue regras diferentes das adotadas no Brasil. O Congresso dos Estados Unidos é renovado parcialmente a cada dois anos. Quando ocorrem na metade do mandato presidencial, essas eleições são chamadas de midterms, ou eleições de meio de mandato. Os deputados norte-americanos têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores, de seis. Com isso, a cada dois anos, o país renova toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. Sendo assim, em novembro, estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 do Senado.

O sistema eleitoral dos Estados Unidos tem diferenças importantes em relação ao brasileiro. No Congresso, por exemplo, o Senado e a Câmara dos Representantes seguem regras diferentes. No Senado, cada um dos 50 estados tem direito a duas cadeiras, independentemente do tamanho da população. Por isso, a Casa tem 100 senadores no total. Já na Câmara dos Representantes, as 435 cadeiras são distribuídas entre os estados de acordo com a população. Cada deputado representa uma região, chamada de distrito eleitoral. Os distritos são áreas dentro de cada estado que podem reunir cidades inteiras ou apenas parte delas. O 11º distrito de Nova York, por exemplo, reúne apenas alguns bairros da cidade de Nova York. Esses distritos são desenhados com base na população. Em geral, cada um deve ter um número parecido de habitantes. Isso significa que cada deputado representa uma fatia semelhante da população dentro do estado. Como o número de deputados de cada estado depende da população, estados mais populosos têm mais representantes na Câmara.

Antes das midterms, os partidos realizam eleições primárias para escolher os candidatos que vão disputar cada cargo. Com isso, nas eleições oficiais, a disputa acaba concentrada em dois candidatos na maioria dos estados e distritos: um republicano e um democrata que venceram as primárias dos respectivos partidos. Candidatos independentes também podem participar das eleições. No entanto, em geral, eles têm menos visibilidade e recebem menos votos. Além disso, cada estado é responsável por apurar os próprios votos. Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos não têm um órgão nacional como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por coordenar as eleições em todo o país. Em geral, a apuração começa assim que os locais de votação fecham. O horário varia de estado para estado. Na Flórida, por exemplo, a votação termina às 19h. Em Nova York, os eleitores têm até as 21h. No Tennessee, o horário varia de acordo com o condado. Com isso, os primeiros resultados devem ser divulgados ainda na noite de 3 de novembro. No entanto, pode levar dias até que seja possível saber qual partido terá o controle da Câmara e do Senado. Em 2022, por exemplo, a disputa pela maioria da Câmara só foi definida mais de uma semana após a eleição. A demora ocorreu, entre outros fatores, porque alguns estados levam mais tempo para contar os votos enviados pelo correio.

O que são as midterms e por que elas têm esse nome?

As midterms são as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Elas recebem esse nome porque acontecem na metade do mandato presidencial. As últimas eleições ocorreram em 2024. Trump tomou posse em janeiro de 2025, assim como os deputados e senadores eleitos naquele ano. Em novembro de 2026, Trump estará na metade do mandato presidencial, enquanto os deputados eleitos em 2024 e os senadores eleitos em 2020 estarão perto do fim do mandato. Os parlamentares eleitos nas midterms tomarão posse em janeiro de 2027. Trump não disputa a eleição, e o mandato presidencial dele termina em janeiro de 2029. A próxima eleição presidencial será em 2028. Na mesma data, haverá eleições para renovar todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço das vagas do Senado.

Trump não está nas urnas, mas por que essa eleição é crucial para ele?

Nas eleições de 2024, o Partido Republicano, o mesmo de Trump, conquistou a maioria das cadeiras da Câmara e do Senado. Com isso, a legenda passou a controlar a pauta e as votações nas duas Casas. Isso permitiu que Trump aprovasse pautas importantes para o governo dele. Ainda assim, ele enfrentou dificuldades, já que a maioria republicana é pequena e alguns parlamentares do partido contrariaram o presidente em votações. Agora, Trump quer manter a maioria para continuar tendo apoio no Congresso. Uma derrota na Câmara, no Senado ou em ambas as Casas poderia dificultar a aprovação de projetos do presidente e abrir espaço para os parlamentares barrarem ações do governo.

Voto pelo correio: como funciona e por que virou um dos principais temas da campanha?

Todos os 50 estados permitem alguma forma de votação pelo correio. Desses, 37 estados e Washington, D.C., permitem que os eleitores solicitem uma cédula sem apresentar justificativa, segundo levantamento do Centro para Inovação e Pesquisa Eleitoral. As regras variam de estado para estado. De forma geral, os eleitores que escolhem essa modalidade recebem a cédula pelo correio, preenchem o documento e o enviam de volta dentro do prazo estabelecido. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ha defendido restrições ao voto pelo correio e afirma que o sistema é suscetível a fraudes. Em março, ele assinou um decreto para endurecer as regras de votação por correspondência e ampliar a verificação da cidadania dos eleitores.

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