Sexta-feira, 30 de outubro de 2026 · São Paulo
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Dólar fecha a R$ 5,44 e registra maior alta semanal desde 2008

Moeda norte-americana avança na sexta-feira (30) e acumula forte alta na semana, enquanto o Ibovespa recua com incertezas fiscais e cenário externo.

Em resumo

  • O dólar fechou a R$ 5,446 na sexta-feira (30) com alta de 1,09% e acumulou valorização de 9,15% na semana.
  • O Ibovespa recuou 0,75% no dia, aos 167.921,80 pontos, acumulando queda semanal de 18,12%.
  • A forte volatilidade do mercado foi influenciada por ajustes após a reeleição de Lula e por turbulências no cenário externo.

O mercado financeiro brasileiro encerrou outubro sob forte pressão na sexta-feira (30), com a disparada do dólar e a queda acentuada da bolsa de valores. A moeda estadunidense avançou 1,09% e fechou cotada a R$ 5,446, no maior valor de fechamento de 2026, enquanto o Ibovespa recuou 0,75%, aos 167.921,80 pontos. Na semana, o dólar acumulou valorização de 9,15%, a maior alta semanal desde a crise financeira de outubro de 2008. O principal índice da B3 registrou a pior queda semanal desde março de 2020, com perda de 18,12%, no início da pandemia de covid-19. No plano nacional, o desempenho dos ativos foi marcado pelos ajustes do mercado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelas incertezas sobre a política fiscal brasileira, enquanto o cenário internacional pressionou os ativos com a queda de ações de empresas tecnológicas.

Durante a sessão de sexta-feira, o dólar à vista fechou a R$ 5,446, registrando máxima de R$ 5,463 por volta das 16h, antes de reduzir parte dos ganhos. Na semana posterior ao segundo turno das eleições presidenciais, a alta acumulada foi de 9,15%. Em outubro, a moeda estadunidense avançou 5,27%, passando a acumular valorização de 0,81% no ano. Parte da volatilidade na primeira metade do pregão esteve relacionada à formação da Ptax de fim de mês, taxa calculada pelo Banco Central e utilizada como referência para a liquidação de contratos futuros de câmbio.

A pressão sobre o real também foi influenciada pela reavaliação das posições dos investidores após o resultado eleitoral. A expectativa pela definição da equipe econômica do próximo governo e pela apresentação de medidas relacionadas às contas públicas manteve o mercado atento aos rumos da política fiscal brasileira. Outro fator determinante foi a procura por proteção cambial antes do fim de semana prolongado pelo feriado de Finados, na segunda-feira (2). No mercado internacional, a moeda estadunidense voltou a subir perante moedas de países emergentes, em um dia de turbulências ligadas a empresas de tecnologia.

Bolsa acumula perdas e atinge menor patamar semanal

O Ibovespa encerrou o pregão de sexta-feira aos 167.921,80 pontos, representando o quinto pregão consecutivo de baixa do principal índice da Bolsa brasileira. Na semana, o indicador acumulou desvalorização de 18,12%, a maior desde março de 2020, quando havia recuado 18,88% em meio aos impactos iniciais da pandemia de covid-19. O desempenho mensal também foi negativo: em outubro, o Ibovespa caiu 9,88%, o pior resultado desde junho de 2022, quando a perda havia sido de 11,5%.

A pressão sobre as ações brasileiras ganhou força após a reeleição de Lula. No primeiro pregão depois do resultado eleitoral, na segunda-feira (26), a queda do índice acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações diante de perdas expressivas. Ao longo da semana, a saída de recursos estrangeiros também contribuiu para a pressão sobre os ativos. Dados da B3 apontaram retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações nos três primeiros pregões da semana.

Cenário externo desfavorável

Além das incertezas domésticas, o mercado brasileiro acompanhou um ambiente internacional desfavorável, marcado pela cautela dos investidores em relação às empresas de tecnologia dos Estados Unidos e às perspectivas para a inflação e os juros globais. Em Nova York, o índice S&P 500 encerrou a sessão com queda de 1,82%, refletindo parte das preocupações relacionadas aos resultados de grandes empresas de tecnologia e aos investimentos em inteligência artificial.

No mercado de câmbio, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda estadunidense diante de uma cesta de seis divisas fortes, registrava alta de 0,01%, aos 101,890 pontos, às 17h31. O resultado consolidou um mês de outubro marcado por forte volatilidade e reajustes expressivos nos preços dos ativos nacionais e internacionais.

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