Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo
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CPI indica reajuste monetário mais cedo nos EUA, diz economista

Divulgação do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos em setembro levanta debates sobre os rumos da política monetária americana.

Em resumo

  • A inflação ao consumidor nos Estados Unidos avançou 3,7% em doze meses no mês de setembro.
  • O economista Matheus Pizzani aponta que o dado pode forçar um reajuste monetário mais cedo pelo Fed.
  • O relatório de emprego mostrou a criação de apenas 29 mil vagas e taxa de desemprego a 4,2%.

A divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos referente ao mês de setembro levantou o debate sobre os rumos da política monetária americana. A inflação ao consumidor desacelerou de 0,4% em agosto para 0,6% em setembro, em linha com o esperado, mas o avanço de 3,7% em doze meses — acima do consenso de 3,6% — gerou pessimismo nos mercados.

Em entrevista ao CNN Money, o economista Matheus Pizzani, do PicPay, avaliou que o dado precisa ser analisado em camadas. Segundo ele, a primeira grande camada diz respeito ao impacto do preço dos combustíveis, pressionados por um cenário geopolítico adverso. “Com guerra no Oriente Médio e com o preço do barril de petróleo rodando acima de 100 dólares, isso impacta toda a cadeia de combustíveis dos Estados Unidos é muito importante”, afirmou.

Núcleo da inflação preocupa mercado

No entanto, o pessimismo do mercado não se resume à questão do petróleo. Pizzani apontou que os componentes do núcleo da inflação, a chamada core inflation, também apresentaram resultados negativos. No segmento de bens industriais, o preço dos automóveis, especialmente os usados, registrou taxa de variação muito superior à dos meses anteriores. Já no setor de serviços, a situação foi descrita como ainda mais delicada.

Educação, saúde e serviços financeiros superaram as expectativas do mercado. O componente de habitação (shelter), equivalente ao aluguel residencial no IPCA brasileiro também voltou a acelerar, registrando o segundo mês consecutivo de alta. Para o economista, essa resiliência inflacionária, tanto pelo lado da oferta quanto da demanda agregada, sinaliza que o FED (Federal Reserve) será forçado a agir.

“Um dado com essa composição negativa, força o mercado a acreditar que esse reajuste vem mais cedo, potencialmente na reunião de outubro”, afirmou.

Outro ponto debatido foi o impacto dos dados do payroll na próxima decisão do FED. O último relatório de emprego mostrou a criação de apenas 29 mil vagas, bem abaixo da expectativa de mercado de mais de 80 mil, com a taxa de desemprego avançando para 4,2%. Pizzani explicou que o BC americano opera sob duplo mandato com controle da inflação e maximização do emprego, porém avaliou que o comitê, sob o comando de Kevin Warsh, está cada vez mais inclinado a priorizar o mandato de inflação.

O economista ponderou que o fraco resultado do payroll não impactou severamente outras métricas, como a taxa de desemprego e o crescimento da renda dos trabalhadores. “O mercado de trabalho está esfriando, mas sem que o número de demissões aumente de maneira simultânea”, complementou.

Para Pizzani, um mercado de trabalho relativamente em equilíbrio, após um período de juros tão restritivos, é uma sinalização positiva que permite ao FED continuar focado no combate à inflação. “Estamos falando de um comitê voltado majoritariamente para cumprir o seu mandato de inflação, algo que eles não conseguem há cinco anos e que demanda uma atuação muito mais incisiva e parcimoniosa”, ressaltou.