Domingo, 1 de novembro de 2026 · São Paulo
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Melatonina pode auxiliar no tratamento de glioblastoma cerebral

Estudos indicam que o hormônio do sono pode aumentar a sensibilidade de tumor cerebral agressivo à quimioterapia em laboratório.

Em resumo

  • Melatonina pode aumentar a sensibilidade de células de glioblastoma à quimioterapia em testes laboratoriais.
  • A eficácia em humanos ainda não foi comprovada devido à falta de evidências clínicas suficientes e altas doses usadas em testes.
  • O uso da melatonina não deve substituir tratamentos oncológicos e exige discussão prévia com a equipe médica.

A melatonina, hormônio produzido naturalmente pelo organismo para regular o sono, pode contribuir para o tratamento do glioblastoma, um dos tipos mais agressivos de câncer cerebral. Pesquisas indicam que a substância pode aumentar a sensibilidade das células tumorais à quimioterapia, mas os resultados ainda precisam ser confirmados em estudos clínicos com pacientes.

Segundo análise publicada no portal científico The Conversation em 16 de outubro de 2026, experimentos realizados em laboratório mostram que a combinação da melatonina com a temozolomida, medicamento utilizado no tratamento da doença, pode dificultar a sobrevivência e a multiplicação das células cancerígenas.

O glioblastoma é o tumor cerebral maligno primário mais frequente em adultos. Seu tratamento costuma envolver cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Mesmo depois da retirada cirúrgica, células tumorais podem permanecer no tecido cerebral e provocar o reaparecimento da doença. Um dos obstáculos ao tratamento é a capacidade de algumas células cancerígenas de reparar danos provocados pela quimioterapia. A proteína MGMT, por exemplo, pode reduzir a eficácia da temozolomida ao reparar alterações no DNA das células tumorais.

Resultados em laboratório

Um estudo publicado em 2025 identificou que a combinação de melatonina e temozolomida apresentou efeito superior ao das substâncias utilizadas separadamente em culturas de células de glioblastoma. Os pesquisadores observaram redução de mecanismos associados à sobrevivência e à inflamação das células tumorais, além da ativação de processos de morte celular. Experimentos com camundongos também indicaram redução do crescimento tumoral. No entanto, os tumores analisados haviam sido implantados sob a pele dos animais, e não no cérebro, o que limita a aplicação dos resultados à doença em humanos.

Outro estudo, de 2018, mostrou que a melatonina aumentou a sensibilidade de células de glioblastoma com características de células-tronco à temozolomida. Os efeitos, porém, variaram conforme o modelo experimental. Além da possível ação contra o tumor, pesquisas investigam se a melatonina pode reduzir efeitos adversos da quimioterapia sobre o cérebro saudável. Em experimentos com camundongos sem tumor, a substância atenuou alterações na formação de novos neurônios e preveniu comportamentos semelhantes aos depressivos provocados pelo tratamento. Os resultados não foram suficientes para demonstrar benefícios equivalentes em pessoas.

Eficácia em humanos não foi comprovada

Apesar dos resultados, ainda não há evidências clínicas suficientes para recomendar a melatonina como tratamento complementar contra o glioblastoma. Uma das principais limitações está nas doses utilizadas nos experimentos. Em alguns estudos, as concentrações de melatonina foram centenas de milhares de vezes superiores às produzidas naturalmente pelo organismo durante a noite. Ainda não se sabe se essas concentrações podem ser alcançadas com segurança no cérebro humano.

Um pequeno estudo clínico publicado em 1996, com 30 pacientes, identificou maior sobrevida depois de um ano entre aqueles que receberam melatonina associada à radioterapia. No entanto, a pesquisa foi realizada antes da introdução da temozolomida como parte do tratamento padrão e não permite confirmar a eficácia da combinação atualmente investigada. Os pesquisadores defendem a realização de novos ensaios clínicos para determinar doses seguras, avaliar a capacidade da substância de alcançar o tumor e verificar possíveis benefícios à sobrevida e à qualidade de vida dos pacientes. A melatonina não deve ser utilizada por conta própria para tratar o câncer, nem substituir os tratamentos oncológicos recomendados. Seu uso durante a quimioterapia deve ser discutido com a equipe médica responsável.

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