Sexta-feira, 30 de outubro de 2026 · São Paulo
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Governo não cortou R$ 6 bi da Saúde e Educação após eleição de 2026

Circula nas redes sociais vídeo falso alegando que o governo federal anunciou corte de quase R$ 6 bilhões após o segundo turno das eleições.

Em resumo

  • Vídeo viral em redes sociais alega corte de quase R$ 6 bilhões na Saúde e Educação após eleições de 2026.
  • Ministério do Planejamento e Orçamento desmentiu a informação e afirmou que não houve anúncio de corte.
  • O vídeo compartilhado é real, mas foi retirado de uma transmissão da CNN Brasil de 31 de julho de 2024.

Circulam nas redes sociais publicações alegando que o governo Lula (PT) anunciou um corte “de quase R$ 6 bilhões” na Saúde e na Educação após a vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições 2026. É #FAKE.

Compartilhadas desde segunda-feira (26) no X e no Instagram, as publicações têm esta caixa de texto, sobreposta às imagens: “Lula acaba de cortar quase R$ 6 bilhões da Saúde e Educação”. Veja dois exemplos de legendas: “Eu, de consciência tranquila, não fiz parte dessa escolha”; e “O corte vem justo no pilar de uma sociedade: a saúde e a educação. A segurança nunca teve, não precisa cortar. Ainda bem que os meus amigos fanáticos pelo Lula ficaram todos milionários no governo dele e podem pagar saúde e educação privadas para os seus filhos e netos”.

Mas esses posts são mentirosos. Embora seja real – e não um conteúdo fabricado por inteligência artificial (IA) –, o vídeo compartilhado não mostra um anúncio posterior ao segundo turno da disputa presidencial, realizado neste domingo (25). Trata-se, na verdade, de um conteúdo jornalístico publicado no canal da CNN Brasil no YouTube em 31 de julho de 2024.

Ao Fato ou Fake, o Ministério do Planejamento e Orçamento desmentiu a alegação dos posts virais sobre um eventual contingenciamento divulgado imediatamente depois das eleições 2026: “Não houve nenhum anúncio de corte após a reeleição nessas áreas. Essas informações não procedem”.

Esses posts viralizaram em meio à pressão para que o governo contenha a trajetória da dívida pública. Nesta quinta-feira (29), o Banco Central informou que as contas do setor público consolidado tiveram um déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro. No mês, a dívida pública manteve o mesmo patamar de agosto: 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), maior índice desde os 85,1% de março de 2021.

Por que a informação é falsa?

Para descobrir se o vídeo já tinha circulado antes na internet, o Fato ou Fake selecionou um frame (imagem estática) do material exibido nos posts. Depois, fez uma busca reversa pela “foto” no Google Lens. Essa pesquisa serve para verificar se o conteúdo havia sido reproduzido anteriormente por fontes confiáveis – e em que contexto.

O resultado levou à publicação de 31 de julho de 2024 no canal da CNN Brasil no YouTube. A fala sobre os cortes na Saúde e na Educação começa no ponto 1:44:09. A repórter diz: “É claro que os mínimos previstos pela Constituição para áreas tão essenciais quanto saúde. Mas, de fato, o Ministério da Saúde é uma das pastas de maior orçamento. Então, também sofre esse impacto de R$ 4,4 bilhões. Na sequência, o Ministério das cidades, que também tem um orçamento super robusto, vai ter um impacto de R$ 2,1 bilhões. Em terceiro, o Ministério dos Transportes, com impacto de R$ 1,5 bilhão. E, em quarto lugar, o Ministério das Educação, com esse impacto de R$ 1,2 bilhão”.

Na véspera, o Ministério da Fazenda havia detalhado o corte de R$ 15 bilhões no orçamento público, anunciado duas semanas antes. As medidas buscavam o cumprimento das metas fiscais daquele ano. Os Ministérios da Saúde e das Cidades foram os mais afetados pelos cortes. A Saúde teve uma redução de R$ 4,4 bilhões, e a pasta das Cidades perdeu R$ 2,1 bilhões. Transportes e Educação também foram atingidos, com quedas de R$ 1,5 bilhão e R$ 1,2 bilhão, respectivamente.

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