Uma mulher cadeirante de 96 anos enfrentou dificuldades para votar neste domingo (25) em uma seção sem acessibilidade em Ribeirão Preto (SP). Ela só conseguiu chegar ao local de votação com o auxílio de dois profissionais de imprensa que acompanhavam a situação.
“Eu faço questão. Eu estou com 96 anos, poderia nem pensar nisso, mas eu gosto. Eu estou viva”, declarou Rogéria Moreira da Silva. A idosa, que tem problemas de mobilidade, passou por uma cirurgia ortopédica em julho deste ano. Devido a complicações na recuperação, ela passou a utilizar cadeira de rodas para se locomover.
De acordo com a Justiça Eleitoral, eleitores com deficiência podem solicitar a transferência para uma seção com acessibilidade junto ao cartório eleitoral até o dia 20 de agosto.
Histórico de dificuldades
No primeiro turno, Rogéria conseguiu votar na Escola Otoniel Mota, no Centro, com o suporte de policiais e de outro eleitor presente no local. “Ela quebrou o fêmur esse ano e agora ela virou cadeirante. Ela não conseguiu fazer a transferência dela para essa eleição, para acessibilidade, então ela veio votar no primeiro turno. Ninguém da Justiça Eleitoral ajudou, disse que não podia, tinha que ser só a família. Então, a polícia ajudou e um eleitor ajudou. Ela subiu e ela votou no primeiro turno”, relatou a filha, a empresária Regiane Aparecida Vieira da Silva.
No intervalo entre os dois turnos, Regiane tentou contatar a Justiça Eleitoral para transferir o título da mãe para uma seção no térreo, mas não obteve sucesso. “Tentei entrar em contato com a Justiça Eleitoral para ela vir no 2º turno no local aqui embaixo. Eles não me atenderam, disse que só depois do dia 2 não tinha como fazer”, afirmou.
Ajuda inesperada
Neste domingo, ao chegar ao local, a família foi informada por mesários que precisaria providenciar a subida da idosa até o primeiro andar da escola. “Então, ela veio agora votar, só que agora não tem um policial. Liguei para o bombeiro, o bombeiro não pode ajudar. Liguei para o Samu, não pode ajudar. E a pessoa da Justiça Eleitoral também não ajuda e ela quer votar. Pode ser a última eleição que ela vai votar, é um direito dela”, disse Regiane.
Após três horas de impasse, Rogéria conseguiu chegar à seção com a ajuda do repórter Eudis Filho, da CBN Ribeirão, e do repórter cinematográfico Jefferson Severiano Neves, da EPTV. Sensibilizados, os profissionais carregaram a cadeira de rodas até a sala de votação, permitindo que a idosa exercesse seu direito, mesmo não sendo mais obrigada a votar.



