Milhares de pessoas foram às ruas da França, Itália, Bélgica, Albânia e Espanha neste sábado (24) em uma onda de protestos contra o alto custo de vida, a perda de poder de compra e a deterioração dos serviços públicos. Embora não façam parte de um movimento único, as manifestações refletem insatisfação com as condições econômicas e com a resposta dos governos. As reivindicações variam de país para país, incluindo desde mais recursos para escolas e serviços públicos na França até medidas contra a inflação na Itália, defesa de aposentadorias na Espanha, críticas à gestão na Bélgica e pedidos pela saída do primeiro-ministro Edi Rama na Albânia.
Parte das cobranças esbarra na capacidade dos governos de responder às demandas em um cenário de pressão sobre as contas públicas. No segundo trimestre de 2026, a dívida pública superava o PIB em países como Itália (139,9%), França (119,1%), Bélgica (110,2%) e Espanha (101,4%), segundo o Eurostat. Além disso, em 2025 os déficits públicos atingiram 5,1% do PIB francês e 5,2% do belga, acima do limite de 3% da União Europea. Na Itália, a inflação chegou a 4,2% em setembro, ante 3,8% na zona do euro.
O que aconteceu na França e na Itália?
Na França, onde os protestos começaram há cerca de um mês, milhares marcharam de norte a sul. Em Paris, cerca de 110 mil pessoas marcharam pacificamente, segundo a polícia, mas policiais usaram gás lacrimogêneo e canhões de água ao final para dispersar pequenos grupos. Em Marselha, jovens bloquearam ruas e atiraram pedras contra a polícia antimotim. O Ministério do Interior francês afirmou que 410 mil pessoas participaram dos protestos, enquanto o ministro Laurent Nunez informou que quase mil pessoas foram presas. Na Itália, Milão teve protestos pacíficos, enquanto em Turim houve tumulto e a polícia usou cassetetes e escudos.
Confrontos e marchas na Bélgica, Albânia e Espanha
Na Bélgica, agentes da polícia em Bruxelas foram flagrados agredindo manifestantes com socos, chutes e golpes de cassetete durante uma marcha que reuniu centenas de pessoas. Na Albânia, manifestantes atiraram pedras contra policiais em Tirana, exigindo a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama. Na Espanha, cerca de 25 mil pessoas se reuniram no centro de Madri para defender as aposentadorias públicas e cobrar medidas contra a crise de moradia, em uma marcha que transcorreu sem incidentes.



