Em 2006, o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB, enfrentou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. Chegou a levar a corrida para o segundo turno, mas perdeu — o petista conseguiu 60,83% dos votos válidos, e ele, 39,17%.
Em um debate da TV Record à época, chegou a dizer que o governo de Lula era “parado na economia e acelerado nos escândalos”. Também chamou o então presidente de “arrogante”, enquanto o próprio Lula disse, em entrevista a uma revista, “irritado com a pequenez política” de seu adversário.
Na verdade, até cerca de uma década atrás, Alckmin e o PT não tinham nenhum tipo de relação, ao ponto de Alckmin dizer, às vésperas do pleito de 2018, que uma tentativa de retorno de Lula ao Planalto seria “uma volta à cena do crime”.
Vinte anos depois, o ex-tucano, hoje no PSB, voltará a um segundo turno neste domingo (25/10), mas agora ao lado de Lula, como candidato a vice-presidente. Saiu de adversário político, nos anos 2000, a “companheiro” do presidente, desde 2022, quando foi alçado pela campanha do PT para atrair o mercado financeiro e o centro.
No atual mandato, além de vice, he foi ministro da pasta de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A dupla enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), que terminaram o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos. Lula e Alckmin tiveram 45,16%.
Médico anestesista, Alckmin, de 73 anos, cumpre um papel de segurança na chapa. Lula explicou isso durante a convenção do PSB, em julho: disse que, com o ex-governador paulista ao lado, não há risco de “dormir e acordar com um golpe no dia seguinte”. Mas não só. Alckmin também foi o principal responsável por fazer a ponte entre o governo e o empresariado, justamente a parcela do eleitorado que mais desconfia de Lula.
Seu teste mais duro nessa posição aconteceu em julho de 2025, quando os Estados Unidos anunciaram a aplicação de tarifas de 50% sobre uma série de produtos brasileiros em meio às políticas protecionistas de Donald Trump. O ministro, então, saiu a campo em reuniões com setores como a indústria, o agronegócio e as centrais sindicais.
No começo deste ano, admitiu que gostou do cargo. Em meio às pressões para que ele deixasse a vice-presidência e disputasse uma cadeira no Senado ou até mesmo o governo paulista, Alckmin avisou a aliados que só seria candidato para repetir o posto — que Lula referendeu em abril.



