Quinta-feira, 22 de outubro de 2026 · São Paulo

Economist questiona se Lula, agora azarão, tem carta na manga

Revista britânica analisa o segundo turno da eleição brasileira e aponta cenário acirrado e vantagem de Flávio Bolsonaro.

Em resumo

  • A revista The Economist aponta que o segundo turno da eleição brasileira será o mais acirrado desde a redemocratização.
  • O senador Flávio Bolsonaro aparece um ponto à frente do presidente Lula nas intenções de voto no segundo turno.
  • A consultoria Le Millénaire estima em 82% a probabilidade de vitória de Flávio Bolsonaro na disputa eleitoral.

A revista britânica The Economist publicou uma reportagem na quarta-feira (21/10) na qual afirma que o segundo turno da eleição brasileira será provavelmente o mais acirrado desde a redemocratização do país.

A reportagem questiona em seu título: “Será que Lula, agora um azarão, ainda tem um última carta na manga”.

O texto afirma que “nenhum candidato que perdeu o primeiro turno conseguiu, até hoje, vencer o segundo”, mas que Lula “se recusa a ser derrotado”, mesmo tendo ficado atrás de Flávio Bolsonaro (PL) na votação do primeiro turno.

O senador aparece um ponto à frente do presidente nas intenções de voto para presidente no segundo turno, de acordo com o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil.

“Será que ele consegue, agora, protagonizar uma reviravolta?”, questiona a Economist.

A revista afirma que, desde a derrota “desastrosa” no primeiro turno, Lula tomou “medidas drásticas”, como apoiar a redução da maioridade penal para crimes graves, pressionar o Congresso para aprovar o fim da escala 6×1 e prometeu o perdão da dívida de pequenas empresas e transporte público gratuito nos finais de semana.

Além disso, a revista lembra que o governo Lula reajustou o valor do Bolsa Família e proibiu as apostas esportivas.

A Economist afirma que pesquisas de opinião sugerem que as medidas estão tendo algum efeito, mas ressalta que “os institutos de pesquisa no Brasil têm falhado repetidamente em captar com precisão o sentimento de direita, inclusive antes do primeiro turno, em 4 de outubro, quando as pesquisas apontavam Lula com vários pontos de vantagem”.

Segundo a revista, Flávio Bolsonaro está reagindo às medidas de Lula.

“Ele acabou votando a favor da redução da jornada de trabalho, embora antes a tivesse criticado. Em um debate no dia 18 de outubro, ele alegou que a criminalidade havia disparado durante o terceiro mandato de Lula (na verdade, ela caiu). Dos quatro candidatos de direita eliminados no primeiro turno — que, somados, obtiveram 8% dos votos —, três declararam apoio a Bolsonaro.”

A revista afirma que, apesar de as pesquisas mostrarem uma disputa acirrada, a consultoria especializada em previsões eleitorais Le Millénaire, baseada em Paris, estima em 82% a probabilidade de vitória de Flávio Bolsonaro.

A Economist diz também que a campanha de Flávio Bolsonaro gastou mais do que a de Lula para impulsionar seu conteúdo online.

“Antes do primeiro turno da eleição presidencial, a campanha de Bolsonaro gastou pelo menos US$ 2 milhões para impulsionar seu conteúdo online. A campanha de Lula gastou pouco menos de US$ 500 mil, embora tenha distribuído muitos adesivos com o seu rosto”, diz a Economist.

“Com apenas alguns dias de campanha restantes, a equipe de Lula deve esperar, ansiosamente, que os métodos tradicionais ainda se mostrem os melhores.”

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