Quinta-feira, 22 de outubro de 2026 · São Paulo

Dirceu diz que Flávio Bolsonaro pode acabar onde está o pai

Ex-ministro afirmou ao Poder360 que senador não deve abrir sigilo, sob risco de terminar na mesma situação do pai preso.

Em resumo

  • José Dirceu declarou que Flávio Bolsonaro pode acabar no mesmo lugar que o pai preso se abrir seus sigilos.
  • A campanha de Lula aceitou as 19 condições apresentadas por Flávio Bolsonaro para a abertura de sigilos.
  • Dirceu foi condenado no mensalão em 2012 e teve condenações da Lava Jato anuladas pelo STF em outubro de 2024.

José Dirceu (PT), ex-ministro da Casa Civil no 1º governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) pode acabar na mesma situação do pai preso, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), caso abra o sigilo telefônico, bancário e fiscal. “Pelos pretextos que ele tá colocando, ele não vai abrir o sigilo, nem pode abrir. Porque senão ele pode acabar no mesmo lugar que tá o pai dele”, disse ao Poder360 nesta 4ª feira (21.out.2026), depois de participar de um ato em defesa da Constituição, da democracia e dos direitos humanos na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, em São Paulo.

O desafio e as condições

Durante o debate na Band, no domingo (18.out), Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos dele e de seus familiares. Na 3ª feira (20.out), a campanha petista encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral uma autorização para a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente e de familiares, condicionada à divulgação das mesmas informações pelo senador.

Flávio afirmou nesta 4ª feira (21.out) que aceitaria o desafio, mas apresentou 19 exigências adicionais. Entre elas, pediu a abertura dos sigilos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula investigado pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência, além de informações sobre o Instituto Lula e os gastos com cartões corporativos da Presidência e da primeira-dama, Janja da Silva.

Nesta 4ª feira, a campanha de Lula afirmou que o presidente aceita as 19 condições apresentadas pelo senador, inclusive a abertura dos dados de Marcola. O porta-voz da campanha, Camilo Santana (PT-CE), também cobrou que Flávio inclua a empresa Alcazar Holdings, uma offshore ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador que é investigado pela PF por suspeita de lavagem de dinheiro.

Cenário de 2º turno

Ao comentar o cenário eleitoral, Dirceu afirmou que a campanha de Lula ganhou dimensão histórica com a mobilização de apoiadores nas ruas, especialmente jovens. Para o ex-ministro, a participação popular mudou o rumo da disputa no segundo turno.

“A campanha tá na mão dos milhões de brasileiros que saíram às ruas, principalmente da juventude brasileira. Acho que é uma campanha que ganhou uma dimensão histórica”, declarou.

Histórico de Dirceu

José Dirceu foi condenado no processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal em 2012, mas teve a sua pena extinta depois de receber um perdão (indulto) do STF em 2016. Dirceu também ficou 1 ano e 9 meses preso em Curitiba (PR) a mando da hoje encerrada operação Lava Jato. Foi solto em 3 de maio de 2017.

Em outubro de 2024, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes anulou todas as condenações da Lava Jato contra o ex-ministro. Com a decisão, ele retomou seus direitos políticos e deixou de ser considerado “ficha suja”.

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