O presidente-executivo da Ferrari, Benedetto Vigna, elogiou a apresentação do esportivo Roadster realizada pela Tesla na semana passada. A demonstração do veículo incluiu manobras aéreas impulsionadas por propulsores derivados de tecnologias da SpaceX, instalados no automóvel. Segundo a agência Reuters, o executivo afirmou que a indústria automotiva ainda possui espaço para inovações ousadas, mesmo em um mercado consolidado, atribuindo nota 10 para a tecnologia e nota 10 para a apresentação.
“Isso certamente mostra que, também no mundo automotivo, ainda há muito a ser feito. Temos que continuar sonhando”, declarou Vigna. O executivo fez os comentários durante uma entrevista por videoconferência em uma conferência automotiva organizada pela revista italiana “Quattroruote”. Na ocasião, ele defendeu que as montadoras precisam assumir riscos e buscar ideias fora de seus próprios ambientes. “Como europeu, obrigado por nos mostrar como, mesmo em um mundo antigo, ainda é possível inovar e ousar”, afirmou o presidente da Ferrari.
Produção e inovações técnicas
Elon Musk, presidente-executivo da Tesla, afirmou que a produção do Roadster começará em 2028. A reação do mercado financeiro foi mista: as ações da Tesla subiram inicialmente, mas analistas ponderaram que a entrega do carro ainda está distante, após anos de tentativas frustradas de tirar o projeto do papel.
A Tesla apresentou em outubro a versão do Roadster equipada com sistemas inéditos, como um mecanismo de sucção com ventiladores que cria downforce para fixar o carro ao solo em curvas de alta velocidade. Durante a demonstração, o veículo conseguiu escalar paredes e ficar de cabeça para baixo. Com mais de 1.300 cavalos de potência e tração traseira, o modelo utiliza propulsores para acelerar de 0 a 100 km/h em menos de um segundo. Na versão Rocket, o esportivo descarrega dois tanques de ar comprimido para realizar manobras, como saltos e piruetas.
Ferrari Luce e colaborações externas
Recentemente, a Ferrari também ganhou destaque com o lançamento da Ferrari Luce, um carro eletrificado que gerou polêmica pelo design arredondado e proporções distintas dos esportivos tradicionais da marca. O modelo, que custa quase US$ 600 mil, teve o desenvolvimento realizado em parceria com Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, e sua equipe no estúdio LoveFrom. As ações da empresa despencaram após a revelação, mas a fabricante afirma que o interesse pelo veículo foi grande.
Vigna destacou que a colaboração com profissionais externos foi fundamental para o resultado. “Se tivéssemos trabalhado sozinhos, não teríamos feito o que fizemos. Em outras palavras, enfrentamos toda uma série de questões e chegamos a algumas respostas estimuladas por pessoas que nos observavam de fora”, disse. O executivo participou da entrevista diretamente da Índia, onde a Ferrari organizou um evento para clientes e registrou forte interesse pela marca.



