Terça-feira, 20 de outubro de 2026 · São Paulo
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Campanhas de 2026 já declararam R$ 288,7 milhões em gastos com a Meta

Valor é mais que o dobro do registrado em 2022; PL lidera entre os partidos e Flávio Bolsonaro é o candidato com maior investimento direto na plataforma.

Em resumo

  • Candidatos já declararam R$ 288,7 milhões em gastos diretos com a Meta, um recorde histórico nas eleições brasileiras.
  • O PL lidera os gastos partidários com R$ 63,7 milhões, seguido pelo PT com R$ 37,9 milhões.
  • O ministro do TSE Marco Aurélio Bellizze deu 24 horas para a Meta comprovar medidas de isonomia na distribuição de conteúdos políticos.

Nas eleições de 2026, a Meta consolidou-se como a empresa que mais recebeu recursos de campanhas eleitorais. Segundo levantamento do g1, os candidatos já declararam gastos de pelo menos R$ 288,7 milhões para contratar serviços diretamente com a plataforma. As informações foram extraídas da prestação de contas disponível nos dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no DivulgaCand.

Os dados de 2026 são parciais, visto que o prazo para a prestação final de contas dos candidatos do 1º turno termina em 3 de novembro, enquanto os que disputam o 2º turno têm até 14 de novembro. A Meta lidera o ranking de fornecedoras desde 2022, mas o montante atual estabelece um novo recorde. Na comparação com 2022, o valor mais do que dobrou, saindo de R$ 129 milhões para o patamar atual. Em relação a 2018, quando foram declarados R$ 22,7 milhões, o aumento é de 1.171%.

A participação da Meta nos gastos totais das campanhas tem crescido sistematicamente: passou de 0,7% em 2018 para 1% em 2020, 1,9% em 2022, 3% em 2024 e, agora, representa 6% de todos os gastos declarados. Os recursos são destinados a serviços como verificação de contas, anúncios e impulsionamento, sendo que este último saltou de 2,5% do orçamento total das campanhas em 2018 para 8,9% nos dados parciais de 2026.

Gastos por partidos e candidatos

Entre as legendas, o PL é o maior investidor direto na Meta desde 2022, declarando R$ 63,7 milhões em 2026, quase quatro vezes o valor da eleição nacional anterior. O PT aparece na sequência com R$ 37,9 milhões, seguido pelo PSD com R$ 30,3 milhões e União Brasil com R$ 23,3 milhões. Em 2018, o PSD liderava o ranking com R$ 3,4 milhões.

Nas candidaturas individuais, Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o 2º turno, lidera com R$ 7,45 milhões investidos. O valor é quase o triplo do declarado por seu adversário, Lula (PT), que soma R$ 2,59 milhões. Em 2018, nenhum candidato ultrapassou R$ 1 milhão em gastos com a empresa; em 2022, foram quatro candidatos, enquanto em 2026 já são 24 nomes que somam R$ 41 milhões.

Decisões judiciais

Nesta segunda-feira (19), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, determinou que a Meta comprove em 24 horas o cumprimento de medidas para garantir isonomia na distribuição de conteúdos e anúncios no 2º turno. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro acionaram a Justiça alegando prejuízos em suas campanhas nas plataformas. Simultaneamente, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva proibiu Nikolas Ferreira e Pablo Marçal de republicar conteúdos vetados, sob multa de R$ 50 mil, e ordenou que Meta e X suspendam o impulsionamento pago das contas de ambos até o fim do pleito.