Domingo, 8 de novembro de 2026 · São Paulo
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Fiocruz aponta que El Niño pode elevar dengue no Brasil em 2027

Projeção de pesquisadores indica cerca de 860 mil casos prováveis de dengue em 2027, com pico estimado para abril, mas há incerteza sobre impacto climático.

Em resumo

  • Brasil pode registrar 860 mil casos prováveis de dengue em 2027, com pico em abril.
  • Seis estados têm tendência de alta: Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais.
  • Especialistas apontam incerteza sobre o impacto do El Niño e reforçam a importância da prevenção.

O Brasil pode registrar cerca de 860 mil casos prováveis de dengue em 2027, segundo projeções de mais de 130 pesquisadores de oito países, incluindo da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). A estimativa aponta um cenário semelhante ao observado nos últimos anos, apesar da expectativa de um El Niño muito forte durante o verão, apontado como um “Super El Niño”.

O número faz parte do Desafio de Previsão de Dengue IMDC (InfoDengue-Mosqlimate), que reúne modelos desenvolvidos por equipes de diferentes países para estimar a evolução da doença no Brasil. O levantamento mais recente reúne 22 modelos.

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Projeção prevê pico de casos em abril

A estimativa central é de aproximadamente 860 mil casos prováveis de dengue em 2027, porém o intervalo de incerteza de 80% varia entre 560 mil e 1,6 milhão de casos. Os pesquisadores projetam que o pico da doença ocorra em abril, com cerca de 40 mil casos. O cenário é considerado semelhante ao dos últimos anos, mas não representa ausência de risco.

Em 2025, o Brasil registrou aproximadamente 1,66 milhão de casos prováveis de dengue, segundo dados do Ministério da Saúde. Para a pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do InfoDengue, Claudia Codeço, as projeções não indicam uma epidemia nos moldes da registrada em 2024, quando houve um aumento atípico de notificações. Ainda assim, a dengue continuará exigindo atenção dos serviços de saúde e ações de prevenção.

Como o El Niño pode influenciar a dengue?

A expectativa de um El Niño muito forte é um dos fatores considerados no planejamento para a próxima temporada. O fenômeno climático pode alterar os padrões de temperatura e chuva no país, criando condições favoráveis à transmissão de doenças como a dengue em determinadas regiões.

No entanto, os modelos utilizados pelos pesquisadores ainda apresentam divergências sobre a dimensão desse impacto. Apenas três deles incorporaram variáveis climáticas às projeções, e os resultados diferem tanto na intensidade quanto na distribuição geográfica dos possíveis efeitos. Por isso, os especialistas avaliam que o El Niño deve ser considerado um fator de atenção e monitoramento, mas não uma referência isolada para estimar o número de casos. A recomendação é acompanhar a evolução da doença por meio de modelos de curto prazo e manter a preparação dos serviços de saúde.

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Estados podem ter aumento de casos

As projeções indicam tendência de crescimento dos casos prováveis em seis estados, na comparação com a temporada anterior: Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais. Nos demais estados, a expectativa é de um cenário próximo ou inferior ao registrado na temporada anterior. Ainda assim, os pesquisadores recomendam que todas as unidades da federação mantenham a vigilância epidemiológica, já que os efeitos do El Niño podem favorecer a transmissão em algumas regiões.

Prevenção continua sendo fundamental

Apesar das projeções, o controle da dengue depende da manutenção das medidas de prevenção e vigilância. A principal orientação é eliminar locais que possam acumular água e servir de criadouro para o mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. Entre os cuidados estão verificar vasos de plantas, pneus, calhas e recipientes que possam acumular água parada. A população também deve procurar atendimento de saúde diante de sintomas como febre, dores no corpo e manchas na pele.

Os pesquisadores ressaltam que as projeções não substituem o monitoramento da situação epidemiológica. A expectativa é que os dados ajudem gestores públicos a organizar os serviços de saúde e antecipar medidas de enfrentamento para a temporada de 2027.

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