Sábado, 7 de novembro de 2026 · São Paulo
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Embrapa cria tecnologia para rastrear produtos agropecuários

Nova ferramenta digital desenvolvida pela Embrapa rastreia cadeias de soja, café e carne bovina da origem ao mercado.

Em resumo

  • A Embrapa criou a tecnologia Embrapa Trace para rastrear soja, café e carne bovina.
  • A ferramenta atende a exigências como o Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR).
  • A solução integra dados do TerraClass e do ElegiAgro para comprovar conformidade agroambiental.

Uma tecnologia digital de rastreabilidade desenvolvida pela Embrapa permite acompanhar, da origem ao mercado, as cadeias de soja, café e carne bovina, conforme divulgado em 3 de novembro de 2026. Disponível no formato de API (Interface de Programação de Aplicações, na sigla em inglês), a Embrapa Trace é uma ferramenta criada para comprovar a conformidade agroambiental e sanitária do agronegócio, contribuindo para o acesso de produtos brasileiros a mercados estratégicos e para a competitividade das exportações.

A Embrapa Trace se integra a outras soluções estratégicas desenvolvidas pela pesquisa pública brasileira. A tecnologia utiliza informações do TerraClass, projeto da Embrapa e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que fornece dados atualizados sobre a dinâmica da cobertura e do uso da terra na Amazônia e no Cerrado. Além disso, conecta-se ao ElegiAgro, sistema desenvolvido pela empresa que automatiza a análise de elegibilidade agroambiental ao cruzar bases cadastrais, fundiárias e geoespaciais para comprovar a conformidade da produção.

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“Trata-se de um conjunto de critérios de rastreabilidade por cadeia produtiva, que se conecta ao ElegiAgro e ao TerraClass, outras soluções da Embrapa, para garantir a conformidade agroambiental e a integridade das informações de uso e de cobertura da terra. A Embrapa Trace padroniza informações autodeclaradas, valida e integra certificações existentes, consolidando evidências de sustentabilidade e rastreabilidade em um parecer único de conformidade, como um passaporte digital do produto”, explica Anderson Alves, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital (SP).

A solução atende a exigências internacionais, como o Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR) e o controle de antimicrobianos na produção animal. Com a tecnologia, cada etapa da produção pode ser rastreada isoladamente, permitindo a incorporação de atividades ainda não certificadas e a construção de novos protocolos e modelos de controle para assegurar o cumprimento dos requisitos.

A crescente exigência dos mercados internacionais por produtos agrícolas associados a práticas sustentáveis impõe ao Brasil o desafio de aprimorar seus sistemas de monitoramento, avaliação e rastreabilidade da produção. A combinação de dados geoespaciais, inteligência artificial, critérios objetivos de elegibilidade e protocolos de rastreabilidade pode conferir transparência, verificabilidade e credibilidade à produção brasileira. Isso fortalece a imagem do país como fornecedor de alimentos e produtos agropecuários sustentáveis e preparado para atender às novas exigências do comércio internacional.

As regulamentações internacionais estabelecem novos padrões para a comercialização de commodities, exigindo que produtos como soja, café e carne sejam associados a informações confiáveis sobre sua origem e demonstrem conformidade com critérios ambientais e legais definidos pelo mercado consumidor. “Nesse contexto, a adequação da agropecuária brasileira deve ser compreendida não apenas como uma exigência de acesso a mercados, mas como uma oportunidade estratégica para conferir maior transparência, credibilidade e valor à produção nacional”, diz o pesquisador.

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O potencial da tecnologia para fortalecer a rastreabilidade na agropecuária é destacado por Luiza Kreimeier, assessora técnica do Conselho Nacional do Café (CNC), “especialmente na cadeia do café, ao facilitar a integração de informações, reduzir o retrabalho e apoiar a demonstração da origem e das condições de produção”. Ela explica que o CNC acompanha as exigências dos mercados e incentiva as cooperativas a testar diferentes soluções, identificar melhorias e avaliar sua adequação às rotinas das equipes e aos sistemas já utilizados, facilitando a operação interna.

“A oferta de tecnologias gratuitas e validadas por instituições oficiais faz diferença, pois pode reduzir custos que hoje pesam sobre as cooperativas e acabam sendo repassados ao produtor”, avalia.

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