Sexta-feira, 6 de novembro de 2026 · São Paulo
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Ações de tecnologia caem com dúvidas sobre o futuro da IA após eleições nos EUA

Investidores temem que vitória democrata traga novas regras para data centers e cobram retorno financeiro sobre os bilhões investidos em inteligência artificial.

Em resumo

  • O Nasdaq caiu 5,52% na quinta-feira, no pior pregão desde abril de 2025, com forte impacto em empresas de tecnologia e chips.
  • Bolsas asiáticas registraram quedas acentuadas, com a Coreia do Sul acionando o circuit breaker após recuo superior a 8% no pregão.
  • Investidores questionam a rentabilidade dos investimentos em IA, que levaram cinco grandes empresas a um fluxo de caixa negativo de US$ 14 bi.

As ações de empresas ligadas à inteligência artificial (IA) estão em forte queda nos mercados globais. Na quinta-feira (5), o Nasdaq, índice que reúne principalmente companhias de tecnologia, recuou 5,52%, registrando seu pior pregão desde abril de 2025. Nesta sexta-feira (6), a onda de vendas atingiu a Ásia, com bolsas como as do Japão e da Coreia do Sul fechando em baixa acentuada.

Na Coreia do Sul, a desvalorização superou 8% durante o pregão, levando a bolsa a acionar o circuit breaker por 20 minutos. O mecanismo é utilizado para pausar as operações em momentos de queda muito acentuada. O movimento reflete a preocupação de investidores com os bilhões de dólares gastos pelas gigantes de tecnologia na corrida pela IA, em um cenário onde o mercado questiona quando esses investimentos se converterão em lucro.

Queda atinge empresas de tecnologia nos EUA

Além do Nasdaq, outros índices de Wall Street registraram baixas expressivas na quinta-feira: o S&P 500 recuou 4,36% e o Dow Jones caiu 3,44%. As chamadas Magnificent Seven fecharam em queda, com a Tesla registrando perdas de 10,8%. O setor de semicondutores foi um dos mais afetados, com o índice da Filadélfia perdendo 12,2%. A Nvidia caiu 9,3% e a AMD recuou 17,3%.

A pressão seguiu para os mercados asiáticos na sexta-feira (6). O Nikkei, no Japão, fechou em queda de 5,96%, aos 57.434,77 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi recuou 6,02%, para 5.059,69 pontos. Outras quedas relevantes incluíram a SK Hynix (-10,4%), Samsung Electronics (-6,4%), SoftBank (-11%) e a taiwanesa TSMC (-4,7%).

Vitória democrata e regras para data centers

O resultado das eleições de meio de mandato nos EUA, realizadas na terça-feira (3), intensificou temores sobre novas regras para a construção de centros de dados. Essas estruturas são essenciais para a IA, mas consomem grandes volumes de energia e água, enfrentando resistência local. A incerteza sobre possíveis restrições legislativas preocupa investidores quanto aos planos de expansão das empresas.

Celso Camilo, doutor em IA e professor da UFG, afirma: “A eleição americana não é a causa da queda. Ela foi o gatilho. O mercado de IA já vinha frágil”. Segundo o especialista, a vitória democrata trouxe riscos sobre incentivos fiscais e licenciamentos, embora mudanças legislativas relevantes costumem ser lentas.

Cobrança por resultados e fluxo de caixa

Dados da Reuters indicam que Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet elevaram seus investimentos em infraestrutura de US$ 113 bilhões para US$ 207 bilhões em um ano. A previsão para 2026 é que os gastos de capital dessas quatro empresas alcancem US$ 740 bilhões. Em uma análise com cinco empresas (Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Oracle), o fluxo de caixa livre conjunto passou de um saldo positivo de US$ 143,5 bilhões nos primeiros nove meses de 2025 para um resultado negativo de US$ 14 bilhões no mesmo período de 2026.

“O mercado continua confiante na demanda por inteligência artificial, como mostram os resultados crescentes da área de computação em nuvem. Mas os investidores passaram a cobrar mais das empresas: não basta anunciar grandes investimentos em IA, é preciso mostrar que eles estão se transformando em receita e, principalmente, em geração de caixa”, diz Nickolas Lobo, especialista da Nomad. As empresas também têm recorrido à emissão de dívidas, como a Microsoft, que levantou US$ 25 bilhões em títulos.

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