Sexta-feira, 6 de novembro de 2026 · São Paulo
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Congresso paraguaio suspende sessão e Peña segue como presidente

Falta de quórum e manobra governista cancelam votação de renúncia de Santiago Peña no Congresso do Paraguai nesta quinta-feira (5.nov.2026).

Em resumo

  • O Congresso paraguaio suspendeu a sessão que votaria a renúncia do presidente Santiago Peña por falta de quórum nesta quinta-feira (5.nov.2026).
  • Opositores defendem o impeachment de Peña para que ele perca o foro privilegiado vitalício após o colapso do Ueno Bank.
  • A Casa Alta deve votar nesta sexta-feira (6.nov) o processo de impeachment contra o presidente.

O Congresso do Paraguai suspendeu, nesta 5ª feira (5.nov.2026), a sessão plenária conjunta que votaria a aceitação ou rejeição da renúncia do presidente Santiago Peña (Partido Colorado, direita). O cancelamento ocorreu por falta de quórum, após manobra do bloco governista.

Apesar do pedido de renúncia, opositores defendem que Peña sofra impeachment e seja formalmente retirado do cargo para que perca o foro privilegiado vitalício — direito inerente ao cargo mesmo depois da renúncia. Com o impasse, Peña segue como presidente do Paraguai.

Diante da esvaziada de plenário, o presidente do Congresso, senador Basilio Núñez (Partido Colorado, direita), declarou o fim da sessão. Se futuramente a renúncia for aceita ou Peña sofrer impeachment, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá o cargo. Ele também enfrentava um pedido de impeachment no Congresso. A Câmara dos Deputados, porém, rejeitou a abertura do processo.

Entenda o caso

Peña anunciou a sua renúncia, nesta 5ª feira (5.nov), na iminência de enfrentar um processo de impeachment – que pouco depois foi aprovado por unanimidade na Câmara e encaminhado ao Senado. Ele alegou buscar a estabilidade social do país após o colapso do Ueno Bank, banco digital do qual foi acionista e que atendia cerca de 3 milhões de pessoas (quase metade da população paraguaia).

A crise travou os depósitos dos clientes e levou o BCP (Banco Central do Paraguai) a decretar a intervenção da instituição, após identificar que o índice de solvência desabou para menos de 50% do mínimo legal devido a créditos irregulares vinculados ao grupo controlador. O escândalo provocou a renúncia do presidente do BCP, Carlos Carvallo, a suspensão das operações do banco e a abertura de uma investigação criminal pelo Ministério Público, que determinou a prisão de 8 dirigentes e ex-dirigentes, incluindo o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale.

O que acontece agora

Com o encerramento abrupto da sessão, congressistas da oposição afirmaram que a manobra governista ocorreu por receio da derrota. Segundo a senadora Blanca Ovelar, a contagem preliminar indicava maioria contra o pedido de renúncia. “Pensaram que, tirando o quórum, evitariam a nossa vitória”, declarou Blanca, que é do partido de Peña, mas se opõe ao governo.

A senadora Celeste Amarilla (PLRA, centro-esquerda) defendeu o avanço do processo no Senado, lembrando o consenso já alcançado na Câmara. A Casa Alta deve votar na 6ª (6.nov) o impeachment de Peña.

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