O presidente americano, Donald Trump, está utilizando suas ferramentas de pressão sobre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, segundo avaliação do especialista Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Eceme.
Em entrevista ao WW, o especialista destacou que a tecnologia de comunicação via satélite fornecida pela SpaceX — conhecida como Starshield — é um dos principais instrumentos de pressão dos Estados Unidos sobre a Ucrânia.
De acordo com Moita, Trump tem reforçado uma mensagem já expressa anteriormente, inclusive durante o que muitos descrevem não como um encontro, mas como uma emboscada no Salão Oval, na Casa Branca: a de que Zelensky “não tinha as cartas na mão” e que “os americanos tinham a posse das cartas na mão”.
Dependência ucraniana da Starshield
A dependência da Ucrânia em relação à tecnologia da SpaceX é, segundo o especialista, “dramática”. Moita explicou que a Starshield é fundamental para o chamado “comando e controle” — ou seja, a capacidade de comandar tropas e controlar ações militares, sejam ofensivas ou defensivas.
“A Ucrânia tem basicamente hoje dois caminhos: as redes providas pela SpaceX, pela Starshield, ou mensageiros humanos, tal como era na guerra desde as priscas eras da antiguidade”, afirmou.
O especialista lembrou ainda que a Starshield foi decisiva para a Operação Vivaldi, contra-ofensiva ucraniana que resultou na recuperação de 277 km², não apenas pelo uso de drones, mas por toda a infraestrutura de comunicação que sustentou a operação.
Europa sem alternativa
Moita ressaltou que a Europa não tem condições de oferecer à Ucrânia nenhuma alternativa ao sistema fornecido pelos Estados Unidos. A própria Ucrânia, apesar de sua capacidade inventiva e de contar com mais de 700 startups, não conseguiu — e não tem como criar, diante do esforço de guerra — um programa alternativo de satélites.
O especialista mencionou ainda que os russos, impedidos de utilizar a Starlink legalmente, recorreram ao pirateamento de sinal e estão lançando seus próprios satélites, por meio do sistema identificado como Hasbet.
Para Moita, o cenário evidencia que os Estados Unidos continuam sendo “o grande ator desse conflito, sem estarem envolvidos diretamente em combate”.



