Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo
ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Super El Niño agrava seca e incêndios na região Norte do Brasil

Amazônia registrou 15.449 focos de calor entre 13 de setembro e 12 de outubro de 2026, número 2,4 vezes maior que no mesmo período do ano anterior.

Em resumo

  • Amazônia registrou 15.449 focos de calor entre 13 de setembro e 12 de outubro de 2026, um aumento de 2,4 vezes em relação ao ano anterior.
  • O Pará concentrou 7.984 ocorrências, enquanto o Amapá registrou quase o triplo de focos de calor na comparação anual.
  • Estudos associam a exposição à fumaça de queimadas ao aumento de internações por doenças respiratórias e circulatórias no Brasil.

A intensificação do “Super El Niño” está alimentando incêndios florestais e agravando a seca na região Norte do Brasil. Na Amazônia, foram registrados cerca de 15.449 focos de calor entre 13 de setembro e 12 de outubro de 2026, o que representa 2,4 vezes o número contabilizado no mesmo período do ano passado, quando houve 6.507 registros.

Dados do boletim ClimaInfo indicam a dimensão do avanço do fogo em municípios com forte atividade agropecuária. Segundo o instituto, o fenômeno ocorre em um território cada vez mais quente e vulnerável a eventos climáticos extremos. No período analisado, a Amazônia respondeu por 53,1% de todos os focos de calor registrados no Brasil. O Pará concentrou a maior parte das ocorrências, com 7.984 registros, enquanto o Amapá teve quase o triplo dos focos contabilizados um ano antes.

Os focos de calor são pontos com temperaturas anormalmente elevadas detectados por satélites do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O indicador, contudo, não equivale necessariamente ao número de incêndios nem permite medir a área atingida pelo fogo.

Impactos da fumaça na saúde

De acordo com o boletim, a combinação de seca, altas temperaturas e queimadas amplia a exposição de milhões de brasileiros à fumaça, que pode provocar danos à saúde mesmo longe das áreas atingidas. O instituto explica que as partículas finas da poluição, conhecidas como PM₂,₅, penetram profundamente nos pulmões, podendo causar irritação, inflamação das vias respiratórias, tosse, falta de ar e agravamento de asma e doença pulmonar obstrutiva crônica. A poluição também pode desencadear respostas inflamatórias e alterações na circulação sanguínea, elevando riscos cardiovasculares.

Um estudo publicado na revista científica Nature Communications, que analisou mais de 2 milhões de internações no Brasil entre 2008 e 2018, identificou uma associação entre ondas de incêndios florestais e aumentos de 23% nas internações por doenças respiratórias e de 21% naquelas por doenças circulatórias. Outra pesquisa brasileira identificou que a exposição à fumaça de queimadas no primeiro trimestre da gravidez está associada a um aumento de 41% nas chances de parto prematuro na região Sudeste.

Segundo o pneumologista Felipe Saddy, devem ser aderidas políticas mais rigorosas para garantir ambientes saudáveis. “A poluição do ar é uma agressão invisível que corrói silenciosamente o futuro das crianças […] é obrigação coletiva que o ar que nossas crianças respiram seja digno, puro e saudável”, afirmou o médico.