Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo
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Starlink ganha novas licenças de espectro da Anatel no Brasil

Ampliação na Banda S permite conexão direta com celulares, mas empresa ainda carece de infraestrutura terrestre para competir como operadora móvel.

Em resumo

  • A Anatel aprovou a ampliação das licenças de espectro da Starlink no Brasil, válidas até 2039.
  • As novas licenças na Banda S permitem a tecnologia direct-to-device, conectando satélites diretamente a celulares.
  • Analistas indicam que a empresa ainda precisa de espectro terrestre e infraestrutura própria para competir no mercado móvel.

A Anatel ampliou as licenças de espectro da Starlink no Brasil na semana passada. No entanto, a decisão não significa que a companhia de Elon Musk esteja prestes a se tornar uma operadora de telefonia no País, modelo que já adotou nos Estados Unidos.

Diferente do mercado americano, onde adquiriu espectro terrestre para iniciar suas operações, no Brasil a Starlink obteve novas licenças na Banda S. Esta faixa é voltada para aplicações direct-to-device (D2D), que dispensam o uso de antenas externas. Com o D2D, a Starlink poderá se conectar diretamente aos celulares dos usuários e comercializar internet móvel via satélite sem depender de parcerias com operadoras locais.

Apesar do avanço, o cenário apresenta desafios técnicos. Atualmente, quase nenhum celular brasileiro possui compatibilidade com a Banda S. Embora as novas licenças garantam maior alcance em áreas rurais, especialistas apontam que a empresa precisará de passos adicionais para consolidar sua presença no mercado nacional.

O que falta para a Starlink?

Um executivo veterano do setor afirmou que a Starlink precisará participar de diversos leilões de espectro terrestre ou realizar a compra de uma operadora de telecomunicações caso queira penetrar de fato no mercado brasileiro. Globalmente, a empresa ainda enfrenta a necessidade de acelerar os lançamentos de satélites, processo que depende da frequência semanal de voos da Starship.

Analistas do UBS reforçam que faltam à Starlink “camadas de espectro terrestre de baixa e média/alta frequências” para atuar como operadora no Brasil. Além disso, a companhia ainda precisa desenvolver uma infraestrutura terrestre própria e estabelecer um modelo de telefonia móvel em funcionamento.

A aquisição de licenças em leilões da Anatel poderia auxiliar a empresa a ganhar capilaridade sem a necessidade de negociar com concorrentes, mas a avaliação é de que isso não seria suficiente. O Conselho Diretor da Anatel aprovou as licenças da Starlink por quatro votos a um, sob relatoria de Alexandre Freire, com voto vencido de Edson Holanda. As licenças concedidas têm validade até 2039.