Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo
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Rodovias: a carteira de leilões do próximo Governo

Ministério dos Transportes projeta 36 novos leilões de rodovias até 2030, com meta de 11 licitações já para o primeiro ano da nova gestão.

Em resumo

  • O governo planeja 36 novos leilões de rodovias até 2030, com meta de 11 licitações já para o primeiro ano da próxima gestão.
  • Investimentos privados em rodovias devem chegar a R$ 32,59 bilhões em 2026, superando os R$ 18,4 bilhões de aportes públicos.
  • O Ministério dos Transportes busca mecanismos para atrair capital estrangeiro mais barato para financiar o volume de projetos de infraestrutura.

Seja Lula ou Flávio, o Presidente que assumir o cargo em janeiro encontrará uma série de projetos de infraestrutura prontos para serem oferecidos ao mercado nos próximos anos. O Ministro dos Transportes, George Santoro, apresentou hoje uma carteira de 36 novos leilões de rodovias que podem ser realizados até 2030. O volume representa uma média recorde de 9 licitações por ano, superando as 7 anuais registradas entre 2023 e 2026, com a previsão de até 11 leilões já para o primeiro ano da nova gestão.

“A meta de 11 para o ano que vem é extremamente ousada. A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) falou que tem capacidade para 7. Estamos trabalhando com eles nisso,” afirmou Santoro a jornalistas após o evento de divulgação. O ministério trabalha com uma margem de segurança e pode substituir projetos devido a possíveis atrasos ou entraves no Tribunal de Contas da União (TCU). Em 2023, durante seu primeiro roadshow na B3, a pasta projetou 32 leilões para o terceiro mandato de Lula, com a expectativa de entregar 29 até dezembro.

“A ANTT tem limitações de pessoas, de orçamento. Estamos tentando uma coisa ousada, como sempre, mas sabemos das limitações não só da agência, como do TCU, dos processos todos,” completou o ministro. Nos 25 leilões realizados no ciclo atual, os vencedores se comprometeram com R$ 283,8 bilhões em desembolsos, sendo R$ 169 bilhões em capex e R$ 113,6 bilhões em opex. Para 2027, a expectativa é licitar um capex de R$ 54,87 bilhões, incluindo R$ 47,15 bilhões em novas concessões e 2 leilões de otimizações contratuais.

Cronograma e projetos

A agenda inclui a Rota de Integração do Sul e a Rota Portuária do Sul (RS) para junho, além da Rota Vale do Itajaí – Malha Catarinense (SC) e a Rota Vale do Café (RJ) em julho. No segundo semestre, estão previstos leilões da Transbrasiliana (SP), Rota Portuária Itaqui (MA), Malha Catarinense Lote 2, otimização da Planalto Sul (PR/SC), e as Rotas do Açu (RJ) e do Centro-Sul Baiano (BA). Segundo Santoro, a Rota do Café e a Rota Centro-Sul Baiano poderão receber aportes públicos para manter tarifas equilibradas.

Quanto às ferrovias, o governo esperava realizar oito leilões em 2026, mas deve focar no chamamento público do corredor Minas-Rio em 17 de dezembro, empurrando os demais projetos para 2027. Santoro atribuiu a demora às discussões “inovadoras” com o TCU. “Acredito que já estamos na fase final desses debates técnicos. Na área técnica já foi superado, agora vai para o plenário. Depois que aprovarmos o primeiro projeto de concessão, não tenho dúvida de que os demais vão seguir no mesmo ritmo,” disse.

A meta para 2027 inclui quatro concessões ferroviárias e nove chamamentos públicos. A carteira prevê o Anel Ferroviário Sudeste em abril e a Ferrogrão em setembro de 2027. Apesar dos desafios, os investimentos privados em ferrovias cresceram, atingindo recordes de R$ 14,3 bilhões em 2024 e R$ 14,8 bilhões em 2025. Nas rodovias, o investimento privado deve atingir R$ 32,59 bilhões em 2026, superando os R$ 18,4 bilhões de capital público.

Diante do volume expressivo de recursos, o governo busca novas fontes de financiamento. “Estamos preocupados, e estamos nos antecipando porque o volume é muito grande. Precisamos trazer dinheiro de fora, mais barato, tendo em vista nossa curva de juros, para poder financiar mais projetos. Estamos estudando mecanismos,” concluiu Santoro.