O PL entrou em estado de alerta diante dos sinais de melhora na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após o petista ter ficado atrás no 1º turno. Aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reconhecem internamente que o candidato do PT avançou nos cenários testados. Os atos de rua em apoio ao presidente e as medidas anunciadas pelo governo nos últimos dias também acenderam um sinal de atenção na campanha do senador.
Desde 6ª feira (9.out.2026), apoiadores de Lula realizaram atos, caminhadas e mutirões em pelo menos 37 cidades. Na 3ª feira (13.out), ocorreram manifestações em São Paulo e Brasília, entre outros locais. Novos atos estão sendo convocados para domingo (18.out), a uma semana do 2º turno, marcado para 25 de outubro.
Overdose de Brasília
A avaliação interna no PL é que a 1ª semana após o 1º turno ficou concentrada em Brasília. O período foi marcado por declarações de apoio e alianças de um lado, enquanto do outro alimentou especulações sobre cargos em um eventual governo Flávio. Essas movimentações, que não receberam endosso da cúpula da campanha do PL, tornaram-se menos frequentes após a demonstração de força lulista. O clima de “já ganhou” adotado por alguns, somado à reação de Lula, tirou de Flávio o “momentum” na campanha, que agora estaria com o petista.
Por isso, o alerta na campanha da oposição. Flávio agora pretende ampliar a presença nas ruas e percorrer diferentes Estados até o 2º turno, com a previsão de não retornar a Brasília até a votação. O senador vota no Rio de Janeiro. A agenda prevista inclui: 4ª feira (14.out) em Porto Alegre; 5ª feira (15.out) em Minas Gerais, com Nikolas Ferreira; 6ª feira (16.out) no Rio de Janeiro para sabatina da TV Globo; sábado (17.out) no Espírito Santo e Bahia; e domingo (18.out) em São Paulo, para ato na avenida Paulista, às 11h, e debate da Band, às 20h. O Pará e o Rio Grande do Norte também estão entre os destinos previstos para a próxima semana.
Mantenham gabinetes
Houve um pedido do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador geral da campanha de Flávio, para que deputados e senadores eleitos mantenham os gabinetes de campanha ativos e voltem às ruas para pedir votos. O pedido inicial foi feito na última 4ª feira (7.out) em reunião com parlamentares eleitos e reforçado em encontro com pastores nesta 4ª feira (14.out). O movimento busca conter o clima de vitória antecipada entre apoiadores, já que parte da base tratava o resultado como definido.
Flávio tem refutado publicamente a ideia de que a eleição esteja decidida. O alerta interno reforça a necessidade de manter a mobilização até 25 de outubro.
PEC do futuro
No PL, o posicionamento de Flávio a favor do fim da escala de trabalho 6 X 1 não é tratado como um fator que encerra a disputa. A proposta de emenda à Constituição (PEC) apresentada por Rogério Marinho, que estabelece o pagamento por hora trabalhada, continua nos planos do partido para um eventual governo Flávio. A estratégia é manter a discussão sobre propostas econômicas e trabalhistas sem abandonar a mobilização eleitoral.



