Terça-feira, 20 de outubro de 2026 · São Paulo

Petróleo dispara e Brent chega a US$ 110 pela 1ª vez desde maio

Aumento das tensões no Oriente Médio e dúvidas sobre o fornecimento russo pressionam os preços da commodity no mercado internacional.

Em resumo

  • O Brent fechou em alta de 3,7% a US$ 109,86 por barril na sexta-feira (16).
  • AIE liberou mais de 20 milhões de barris de combustíveis para tentar ampliar a oferta.
  • Estados Unidos abriram troca de até 17 milhões de barris de sua reserva estratégica.

O petróleo Brent atingiu US$ 110 por barril pela primeira vez desde maio, impulsionado pelo temor de que o aumento das tensões no Oriente Médio restrinja ainda mais a oferta global, enquanto investidores também avaliaram quanto diesel a Rússia conseguirá fornecer ao mercado internacional.

Os contratos futuros do Brent, referência internacional para os preços do petróleo, fecharam nesta sexta-feira (16) em alta de US$ 3,94, ou 3,7%, a US$ 109,86 por barril, alcançando o maior valor desde 19 de maio. Já os contratos do West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subiram US$ 3,44, ou 3,5%, encerrando o dia a US$ 101,41 por barril, o maior patamar desde 17 de setembro. Na semana, até o momento, o Brent acumula alta de 4,9%, enquanto o WTI avançou 10,4%.

Fatores de pressão

Segundo a consultoria Energy Aspects, ouvida pela Reuters, os preços voltaram a subir após uma queda anterior, em meio ao temor de uma escalada do conflito e a relatos de possíveis ataques à infraestrutura de energia da Arábia Saudita. Relatos da imprensa israelense indicaram que o Irã poderia estar preparando um ataque preventivo, após serviços de inteligência ocidentais identificarem movimentações militares incomuns.

Embora não tenham sido confirmadas, essas informações reforçaram a preocupação com novos confrontos e possíveis interrupções no fornecimento de petróleo, de acordo com a consultoria. Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita informou ter interceptado e destruído um míssil balístico lançado em direção a Yanbu, cidade portuária no Mar Vermelho.

O porto é estratégico para o país porque permite escoar petróleo para o mercado internacional por uma rota alternativa ao Estreito de Ormuz, passagem marítima importante para o transporte global da commodity. De acordo com a consultoria Rapidan Energy Group, também ouvida pela Reuters, as primeiras informações indicavam que não houve danos à infraestrutura de Yanbu.

Ataques a refinarias na Rússia

A oferta de combustíveis também é motivo de preocupação por causa dos ataques ucranianos a instalações de petróleo russas. Na quinta-feira (15), a Ucrânia atacou uma refinaria na Rússia, depois que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, anunciou que Kiev abandonaria a trégua que abrangia instalações de energia. O cessar-fogo havia sido anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Zelenskiy também criticou a disposição de Trump de negociar acordos com Moscou.

A refinaria de Ryazan, na Rússia, interrompeu as operações em uma unidade de destilação primária de petróleo após um ataque com drones na região, na quinta-feira, segundo duas fontes do setor ouvidas pela Reuters. A destilação primária é uma etapa inicial do refino em que o petróleo é aquecido e separado em diferentes componentes, que podem ser usados na produção de combustíveis, como diesel e gasolina.

Para Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da BOK Financial, entrevistado pela Reuters, a combinação das tensões no Oriente Médio com as dúvidas sobre a capacidade russa de fornecer diesel tem incentivado os investidores a comprar petróleo.

Na tentativa de ampliar a oferta, a Agência Internacional de Energia (AIE) concordou, na quinta-feira, em liberar mais de 20 milhões de barris de combustíveis no mercado. Os Estados Unidos também abriram, na sexta-feira (16), uma chamada para propostas de troca de até 17 milhões de barris de petróleo da Reserva Estratégica de Petróleo do país, segundo o Departamento de Energia americano. A reserva é um estoque mantido pelo governo para ajudar a enfrentar situações de interrupção no abastecimento.