Quarta-feira, 21 de outubro de 2026 · São Paulo

Petróleo circula, mas não alivia mercado de diesel, diz especialista

Programa Infra em 1 Minuto analisa gargalos no refino e na logística que mantêm a escassez de combustível mesmo com a alta nas exportações.

Em resumo

  • Oferta global de diesel recuou 1,7 milhão de barris/dia no 3º trimestre de 2026 em relação a 2025.
  • Estoques de emergência somam 325 milhões de barris liberados com mais 100 milhões a caminho.
  • Exportações de petróleo do golfo se recuperaram, mas gargalo persiste no refino e na logística.

O Poder360, em parceria com o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), lança neste sábado (17.out.2026) o 184º episódio do programa “Infra em 1 Minuto”. No vídeo, o especialista em energia Pedro Rodrigues, sócio do CBIE, analisa por que a recuperação das exportações de petróleo do golfo Pérsico não foi suficiente para aliviar o mercado de combustíveis. O programa é publicado semanalmente no canal do Poder360 no YouTube. Assista ao vídeo (1min37s).

“O mundo está aprendendo da pior forma que o petróleo não é óleo diesel. A crise começou com o conflito no Oriente Médio e o bloqueio do estreito de Ormuz”, disse.

“Depois, os ataques ucranianos, as refinarias russas tiraram do mercado justamente o combustível que move caminhões, tratores e indústrias. O curioso é que as exportações de petróleo do golfo já se recuperaram. O gargalo está um degrau acima”, afirmou. “O óleo volta a circular, mas não vira diesel na mesma velocidade”, declarou.

Segundo a Agência Internacional de Energia, a oferta global de diesel recuou 1,7 milhão de barris por dia no 3º trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Rodrigues fala sobre o fato de que o gargalo não está na extração, mas na capacidade de refinar e entregar o produto: refinarias danificadas, rotas comprometidas e logística desorganizada fazem com que o petróleo que voltou a circular não se converta em diesel na mesma velocidade.

A abertura dos estoques de emergência, que já somam 325 milhões de barris liberados com outros 100 milhões a caminho, é tratada pelo especialista como um “remédio para um susto, não para uma doença crônica”. Ele disse: “Mas estoque é remédio para um susto, e não para uma doença crônica. Não reconstrói refinaria e ainda esvazia o colchão para o próximo choque”.

Rodrigues mencionou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano) de afrouxar sanções para liberar diesel russo no mercado. “Um volume pequeno, efeito incerto e uma contradição evidente com a política americana contra Moscou. A lição é clara: segurança energética não se mede em barris no subsolo, mas na capacidade de refinar e entregar o produto final”, declarou.