O Clube do Servidor, que possui uma área de 80 mil m² e está situado às margens do Lago Paranoá, em Brasília, passa atualmente por um processo de reforma com o objetivo de ser transformado no Senado Cultural.
O projeto do complexo começou a ser desenvolvido em 1973 pelo engenheiro civil e arquiteto Armando Favato. A proposta inicial era que o local funcionasse como o Clube da Associação dos Servidores do Ministério da Educação e Cultura. No entanto, por determinação do presidente Ernesto Geisel, que assumiu o cargo em 1974, a finalidade foi ampliada para atender todos os servidores públicos da capital.
Uma das características mais conhecidas do projeto arquitetônico de Favato é a fachada do prédio principal, que possui colunas brancas em elipse. Ele, contudo, deixou a obra antes da conclusão, após discordar da troca de uma rampa por uma escadaria no acesso à área de espetáculos. O espaço foi inaugurado em 1976, com a denominação de Clube do Servidor Civil, contando com salões, piscinas e quadras poliesportivas.
Nos salões eram realizados shows e festas. Durante a década de 1980, por exemplo, ocorreram apresentações de artistas como Marina Lima, Alceu Valença e a banda Legião Urbana. A partir dos anos 1990, o clube passou por diferentes equipes de gestão e o seu uso foi sendo reduzido, culminando no fechamento ao público em 1997.
Em 2009, a administração foi transferida para a Advocacia-Geral da União (AGU) e para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (Sindjus). A intenção era transformar o espaço na sede da Escola da AGU e em um clube para os servidores do Poder Judiciário. No mesmo ano, por três meses, o local foi cedido para a realização do evento Casa Cor Brasília. Nesse mesmo período, cenas do filme Insolação, dirigido por Daniela Thomas e Felipe Hirsch, foram filmadas no antigo salão de baile.
Em 2018, um convênio entre o Senado, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) destinou a área ao que seria o Centro Cultural dos Poderes da União. Posteriormente, o espaço foi cedido exclusivamente ao Senado Federal, que tem previsão de inaugurar o Senado Cultural em dezembro deste ano.
Depredação e espelhos d’água enterrados
O coordenador de Projetos e Obras de Infraestrutura do Senado, Luan Ozelim, relata que o local estava depredado, com forros caídos, vidros quebrados, telhas retiradas e postes derrubados.
Os cabos elétricos tinham sido arrancados à força das paredes de gesso. As louças e os equipamentos sanitários haviam sido removidos. Foi preciso, portanto, um trabalho amplo de recuperação e limpeza antes de se pensar na adaptação dos prédios ao novo uso.
O antigo reservatório de água do complexo também foi recuperado.
Como ele tem uma presença arquitetônica marcante, fizemos questão de mantê-lo
, ressaltou Luan, acrescentando que foram necessárias intervenções de recuperação e reforço estrutural. Durante as obras, a equipe descobriu dois espelhos d’água enterrados, que estão sendo recuperados. A expectativa é de que um deles esteja pronto na inauguração, em dezembro.
Etapas e arquitetura original
As reformas estão divididas em quatro etapas: a primeira abrange o Bloco Administrativo, o Bloco de Exposições, a nova guarita, o sistema viário interno, o estacionamento interno, a central de água gelada e o eletrocentro; a segunda contempla o Espaço da Democracia; a terceira envolve o Espaço Brasília; e a quarta compreende o Bloco Educativo. A primeira fase deve terminar em dezembro, antes da abertura do Senado Cultural.
Em paralelo a essas etapas, ocorrerá a implementação do projeto de paisagismo, com playground, anfiteatro, área de piquenique e quadras esportivas, além da reforma do bloco de sanitários
, explicou Vanessa Bhering, assessora técnica da Coordenação de Projetos e Obras de Infraestrutura do Senado.
A equipe busca respeitar a arquitetura original, mantendo a fachada de elipses do prédio principal.
Nós conhecemos o apreço da população pelo prédio, e por the isso nunca cogitamos interferir nesse elemento. O mármore branco das outras fachadas e o mármore rosa do piso das varandas também têm grande valor arquitetônico e estão sendo recuperados
, afirmou Vanessa. Por dentro, os prédios são modernizados. O antigo salão de baile, transformado em salão de exposições, contará com climatização, cobertura com tratamento térmico e acústico, forro acústico e sistemas de combate a incêndio, abrigando três exposições rotativas, sendo a primeira a mostra “Senado em Movimento: 200 anos de história”.



