Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo
ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Governo Trump envia centenas de soldados para a América Latina, diz ‘New York Times’

Movimentação de cerca de 600 militares visa ampliar o combate ao tráfico de drogas e fortalecer a influência dos EUA na região.

Em resumo

  • O governo dos EUA enviou um batalhão de 600 soldados para realizar treinamentos no Panamá, na Colômbia e em Honduras.
  • A estratégia faz parte da ampliação do combate ao tráfico de drogas e visa conter a influência de potências estrangeiras na região.
  • O Pentágono transferiu drones MQ-9 Reaper para a Colômbia e o Equador, e criou um novo departamento para supervisionar operações militares.

Os Estados Unidos iniciaram o envio de centenas de soldados do Exército para a América Latina como parte de uma ampliação da ofensiva militar do governo de Donald Trump contra o tráfico de drogas na região, segundo informações publicadas pelo jornal “New York Times”. A movimentação envolve um batalhão de aproximadamente 600 militares, que participarão de treinamentos e exercícios conjuntos com forças locais no Panamá, na Colômbia e em Honduras.

As informações foram divulgadas pelo periódico americano nesta quinta-feira (15), baseadas em relatos de autoridades militares dos Estados Unidos que optaram pelo anonimato. De acordo com o jornal, os primeiros integrantes do contingente já começaram a ser deslocados para um centro de treinamento no Panamá. Posteriormente, os soldados seguirão para a Colômbia, onde participarão de exercícios militares previstos para iniciar ainda em outubro, e para Honduras, visando atividades de treinamento com forças locais.

Além dos exercícios, parte dos militares poderá prestar apoio a forças de operações especiais americanas que assessoram exércitos locais em ações contra suspeitos de tráfico de drogas. Segundo o “New York Times”, os deslocamentos são, inicialmente, temporários, mas existe a possibilidade de que se tornem uma presença mais permanente das Forças Armadas americanas na América Latina.

Ampliação da ofensiva militar

O jornal afirma que a movimentação integra uma estratégia do governo Trump para ampliar a atuação militar dos EUA no combate aos cartéis de drogas. A presença militar reforçada também faz parte de um objetivo mais amplo para retomar a influência dos EUA na região e conter o avanço de potências de outros continentes. “Exercer mais influência sobre a América Latina é uma prioridade da administração Trump”, diz o “New York Times”.

A possibilidade de operações militares americanas no território tem gerado preocupações sobre a soberania dos países e reavivado a memória de um longo histórico de intervenções dos EUA na região. Em dezembro de 2025, o governo americano divulgou uma nova estratégia de segurança nacional que prevê a retomada da Doutrina Monroe, política do século XIX que buscava impedir a interferência de potências estrangeiras nas Américas.

O documento prevê o reforço da presença militar, a intensificação do combate aos cartéis e a ampliação do acesso a locais estratégicos. O Pentágono também transferiu recentemente drones MQ-9 Reaper da África para a Colômbia e o Equador. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, criou um novo departamento para supervisionar as operações contra organizações criminosas, que inclui a possibilidade de expandir ataques contra embarcações suspeitas para alvos em terra.

O Comando Sul dos Estados Unidos realizou, ao longo de cerca de um ano, 71 ataques contra embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental, resultando em pelo menos 239 mortos. Embora os militares americanos afirmem que as vítimas estavam envolvidas com o tráfico, não foram apresentadas provas. Especialistas questionam a eficácia da estratégia, enquanto organizações de direitos humanos temem que a ampliação dos ataques para alvos terrestres aumente o risco de mortes de civis. O Pentágono não comentou os novos deslocamentos, mas afirmou estar comprometido com a colaboração com países aliados.