Quarta-feira, 21 de outubro de 2026 · São Paulo

Governo federal regulamenta Marco Legal dos Jogos Eletrônicos

Decreto assinado pelo presidente Lula estabelece diretrizes para fomentar a produção nacional, a inovação e a qualificação profissional no setor de games.

Em resumo

  • O decreto regulamenta o Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos, sancionado em 2024.
  • O setor de games no Brasil movimenta entre R$ 12 bilhões e R$ 13 bilhões anualmente e conta com 115 milhões de jogadores.
  • A nova regulamentação reconhece os jogos como produtos culturais e exclui apostas esportivas e jogos de azar de seu escopo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (14) o decreto que regulamenta o Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos, sancionado em 2024. A medida define diretrizes para fortalecer o setor por meio de ações focadas na produção nacional, inovação tecnológica, qualificação profissional, internacionalização e proteção da propriedade intelectual. De acordo com o governo, a regulamentação visa oferecer segurança jurídica ao segmento e estimular o desenvolvimento da indústria brasileira de jogos eletrônicos, integrando-os a políticas públicas de cultura, educação, saúde e acessibilidade.

Objetivos para o setor

Durante a cerimônia, Lula afirmou que a meta é transformar o Brasil em um produtor de tecnologia e conteúdo digital. “O Brasil não pode se limitar a ser um grande mercado consumidor de jogos criados em outros países. Temos condições de criar, desenvolver, financiar e exportar nossos produtos, gerando empregos qualificados, renda e inovação”, declarou.

O presidente ressaltou o potencial dos games para gerar oportunidades de trabalho e empreendedorismo, especialmente entre os jovens. “O papel do Estado é criar oportunidades. A gente está dizendo para vocês: façam que nós damos a cobertura, porque o Brasil precisa de vocês”, afirmou.

Reconhecimento como produto cultural

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou que o decreto consolida o reconhecimento dos jogos como produtos culturais e obras audiovisuais interativas, possibilitando o acesso a mecanismos de fomento. “Game é cultura, game é audiovisual”, ressaltou. Segundo a ministra, a regulamentação fortalece a produção nacional e a formação de profissionais, além de ampliar o uso dos jogos em iniciativas de educação e saúde.

Margareth Menezes pontuou a relevância econômica da indústria no país. Segundo ela, o Brasil possui cerca de 115 milhões de jogadores, figura entre os maiores mercados de games do mundo e movimenta entre R$ 12 bilhões e R$ 13 bilhões por ano.

Plataforma Game Brasil

O governo anunciou a criação da plataforma Game Brasil, voltada à divulgação de jogos produzidos no país, além de uma rede nacional de espaços de formação, pesquisa e desenvolvimento. Para Lula, a política é uma aposta em setores intensivos em conhecimento. “O Brasil não pode ser eterno país exportador de soja, de minério de ferro e de milho. O Brasil tem que ser exportador de inteligência, de conhecimento”, disse.

A lei, aprovada no Congresso Nacional e sancionada em 2024, estabeleceu princípios para o desenvolvimento sustentável do setor e a proteção de crianças e adolescentes. A legislação abrange jogos para computadores, consoles, celulares e plataformas on-line, incluindo realidade virtual e aumentada, mas exclui apostas esportivas, jogos de azar e modalidades com premiação em dinheiro.