Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo
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Funcionário da OpenAI é preso após suspeita de espionagem

Abdulrahman Alfozan foi detido pelo FBI por instalar gravadores em sala de reuniões da empresa em São Francisco.

Em resumo

  • Abdulrahman Alfozan foi preso pelo FBI acusado de instalar gravadores em salas de reuniões da OpenAI em São Francisco.
  • O equipamento estava escondido atrás de uma televisão e armazenava gravações criptografadas das atividades da diretoria.
  • Se condenado, o ex-engenheiro pode pegar até cinco anos de prisão e pagar uma multa de US$ 250 mil.

O ex-engenheiro da OpenAI, Abdulrahman Alfozan, de 35 anos, foi preso pelo FBI nos Estados Unidos sob a acusação de instalar um gravador em uma sala de reuniões utilizada pela diretoria da empresa, em São Francisco. O suspeito foi detido em 9 de outubro e formalmente acusado nesta terça-feira (13/10).

O dispositivo foi localizado em 30 de setembro, conectado à porta USB de uma televisão e escondido dentro de um rolo de papel higiênico. Segundo a denúncia, o local era utilizado para discussões sobre pesquisas, planos de produtos, decisões estratégicas e relações comerciais da criadora do ChatGPT. A acusação fundamenta-se na lei federal que proíbe o uso ou a tentativa de uso de dispositivos para interceptar comunicações orais ilegalmente. Se condenado, Alfozan poderá enfrentar até cinco anos de prisão e o pagamento de uma multa de US$ 250 mil (cerca de R$ 1,26 milhão).

Investigação interna com uso de IA

A OpenAI informou que recorreu às suas próprias ferramentas de inteligência artificial para auxiliar na investigação e identificar o funcionário, que foi demitido. “Nós usamos nossos modelos para entender o dispositivo e descobrir de onde ele veio”, afirmou a empresa em nota. O aparelho, que armazenava gravações criptografadas, teria sido instalado por volta de 28 de setembro e descoberto pela equipe de segurança interna dois dias depois. A companhia declarou: “Encaminhamos o assunto ao FBI e somos gratos aos agentes e promotores que agiram rapidamente para efetuar a prisão”.

Até o momento, a OpenAI afirma não ter encontrado indícios de que o suspeito tenha acessado indevidamente ou extraído códigos-fonte, pesos de modelos de IA ou dados de clientes, não confirmando, portanto, roubo de propriedade intelectual. Recentemente, a empresa também demitiu três funcionários após um suposto vazamento de informações confidenciais.

Evidências contra o suspeito

A denúncia conecta Alfozan ao dispositivo por meio de imagens de câmeras de segurança, que o flagraram nas proximidades do local, embora ele não tivesse autorização para acessar a sala. Em 5 de outubro, ele teria entrado no ambiente e verificado a parte traseira da televisão. Investigadores também identificaram consultas realizadas antes da instalação, com informações sobre calendários e localização de executivos.

Além disso, uma conta em um chatbot associada à esposa do engenheiro teria feito perguntas sobre a instalação e ocultação de gravadores, mencionando o endereço MAC do equipamento. Em 5 de outubro, seguranças da OpenAI encontraram um segundo gravador semelhante dentro de uma mochila abandonada em outra área do prédio, contendo documentos de identificação e uma carteira atribuídos a Alfozan.