Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo
ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Campanha de Lula pede ao TSE remoção de 255 perfis e reparação na Meta

Coligação aciona a presidência do tribunal exigindo que a plataforma retire redes inautênticas, recupere alcance perdido e pague multa em caso de falha.

Em resumo

  • A coligação de Lula pediu ao TSE que a Meta retire 255 perfis apontados como inautênticos e geridos por IA.
  • A campanha exige a recomposição em dobro do alcance de conteúdos oficiais prejudicados pela plataforma.
  • O documento solicita o cumprimento das medidas em até seis horas, sob pena de multa diária de R$ 500 mil.

A coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, protocolou um pedido junto ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, para que a Meta remova uma rede composta por 255 perfis apontados como automatizados ou inautênticos. A solicitação foi apresentada diretamente à Presidência do tribunal nesta quarta-feira (14), exigindo também a recomposição do alcance de conteúdos da campanha que teriam sido prejudicados pela plataforma digital.

Entre as medidas solicitadas pela coligação, a Meta deve ser notificada para cessar as irregularidades apontadas e comprovar o cumprimento das determinações no prazo de até seis horas. O documento pede a retirada da rede de perfis considerados inautênticos, a recomposição do alcance de conteúdos e a aplicação de multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento, com teto inicial limitado a R$ 5 milhões.

Como funciona o pedido de recomposição do alcance?

No caso da perda de alcance, a coligação exige a “recomposição do alcance dos conteúdos dos perfis oficiais da Coligação e de seu candidato, mediante entrega corretiva integralmente custeada pela plataforma, em volume equivalente ao dobro da perda apurada”. A petição detalha que a perda seria calculada com base na diferença entre a distribuição que os conteúdos teriam na ausência dos incidentes apontados e as impressões efetivamente entregues.

Se a recomposição em dobro não for aceita pelo tribunal, a coligação solicita, alternativamente, a recomposição simples, equivalente à perda apurada. Para conteúdos de terceiros apoiadores do candidato que teriam sido atingidos por redução, bloqueio ou indisponibilização não amparados por norma eleitoral, a coligação também pede a redistribuição nas superfícies de recomendação do Instagram e do Facebook.

Reunião no TSE e discussões com a plataforma

A movimentação ocorre no momento em que Nunes Marques conduz reuniões com as campanhas para debater a atuação das plataformas digitais. Na quarta-feira, advogados das campanhas de Lula e do senador Flávio Bolsonaro, adversários no segundo turno, reuniram-se para discutir regras relacionadas aos canais de apoiadores no WhatsApp, com a participação de Nunes Marques na parte final do encontro.

Durante a reunião, o presidente do TSE também ouviu reclamações dos advogados sobre a atuação da Meta e agendou encontro com representantes da empresa. Entre as principais demandas relatadas por interlocutores estão a exigência de igualdade de tratamento entre os candidatos no que diz respeito a algoritmos e ferramentas de inteligência artificial, além do combate rigoroso ao impulsionamento irregular de conteúdos.

Rede de 255 perfis e inteligência artificial

O pedido envolvendo os 255 perfis no Instagram baseia-se em um relatório do Instituto Democracia em Xeque citado pela campanha, que aponta a gestão das contas por meio de inteligência artificial. Segundo a petição, o levantamento atribuiu à rede 58,6 milhões de visualizações no mês monitorado, destacando o uso das contas para publicar materiais contrários a Lula, ao Partido dos Trabalhadores e à primeira-dama.

A coligação requer a remoção ou indisponibilização imediata das contas classificadas como automatizadas ou inautênticas, além de exigir informações sobre os meios técnicos empregados pela plataforma para identificar redes coordenadas e sobre as providências adotadas. A campanha também acusa a Meta de restringir o alcance de publicações ligadas ao presidente e a seus apoiadores, enquanto conteúdos da candidatura adversária teriam distribuição ampliada, mencionando questionamentos anteriores sobre publicações do deputado Nikolas Ferreira e o funcionamento da ferramenta Meta AI.