Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo
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bolsa família teve reajuste maior que salário mínimo em 2026? checagem

publicações alegam que o governo deu 15% para o programa e 6% para o mínimo; veja o que é fato ou fake.

Em resumo

  • Publicações alegam que o governo deu mais de 15% para o Bolsa Família e 6% para o salário mínimo.
  • O salário mínimo acumulou alta de 22,8% no período, passando para R$ 1.621 em 2026.
  • O reajuste de 15% no Bolsa Família repõe a inflação de três anos sem aumentos no programa.

Circulam nas redes sociais publicações alegando que o governo Lula (PT) deu mais de 15% de reajuste para o Bolsa Família, mas corrigiu em apenas 6% o salário mínimo. Publicações que viralizaram no X e no Instagram desde o final de setembro exibem uma imagem do presidente Lula (PT) segurando um cartão do programa social Bolsa Família. Abaixo, há o seguinte texto: "Discurso que gera polêmica: 'Como um partido que se diz dos trabalhadores dá mais de 15% de aumento para quem não trabalha e apenas 6% para quem trabalha?', diz trabalhador CLT". Veja um exemplo de legenda que acompanha a imagem: "Em um vídeo que acumula milhares de visualizações, um trabalhador regido pela CLT fez um desabafo direto sobre a condução econômica do governo: Como um partido que se diz dos trabalhadores dá mais de 15% de aumento para quem não trabalha e apenas 6% para quem trabalha? O questionamento expõe a insatisfação da classe trabalhadora com a perda do poder de compra e com o ritmo dos reajustes salariais frente aos repasses de programas assistenciais".

Mas esses enunciados omitem que o reajuste anterior do Bolsa Família havia ocorrido em 2023. E que, nesse mesmo período, o salário mínimo acumulou um aumento de 22,8%. Em 2024, o valor passou de R$ 1.320 para R$ 1.412. Em 2025, chegou a R$ 1.518. E, em 2026, subiu para R$ 1.621. O percentual de 6%, citado nos posts desta checagem, é próximo apenas do registrado na correção mais recente: 6,8% (de R$ 1.518 para R$ 1.621).

Por que a postagem não é bem assim?

Em 17 de setembro, a 17 dias do primeiro turno da corrida presidencial, o governo federal anunciou o reajuste dos benefícios do Bolsa Família em 15%. Com isso, o piso do programa de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio subirá dos atuais R$ 675 para R$ 777, informou o Ministério do Planejamento. O primeiro repasse com os novos valores está previsto para 19 de outubro. À época do anúncio do aumento para o Bolsa Família, o governo negou motivação eleitoral e afirmou que a medida recompõe parte da perda do poder de compra causada pela inflação desde o aumento anterior, três anos atrás.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026 foi de 15,04%. Economistas e especialistas consultados pelo g1 questionaram o momento da alteração e o risco às contas públicas. Procurado pelo Fato ou Fake, o Ministério do Planjeamento e Orçamento disse, por e-mail: "A recomposição de 15% do benefício Bolsa Família corresponde a correção dos valores pela variação inflacionária acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026, um período de 3 anos em que não houve reajuste. Isso não ocorreu com o salário mínimo, que manteve valorização real nos últimos 3 anos".

O Fato ou Fake consultou o economista Carlos Eduardo Oliveira Jr, do Conselheiro Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), que explicou: "Para uma comparação adequada, o ideal é analisar a evolução acumulada do salário mínimo e do Bolsa Família entre 2023 e 2026, e não comparar o reajuste anual do mínimo com a recomposição acumulada de 15,04% aplicada ao programa social. Nesse critério, o salário mínimo teve um avanço de 22,8%, contra 15,04% do Bolsa Família".