O banco canadense TD Cowen publicou na semana passada seus novos preços-alvo para o Bitcoin: US$ 280 mil em 2029 e US$ 109 mil ainda neste ano. No entanto, o relatório trouxe uma crítica a Michael Saylor, fundador e CEO da Strategy, a maior empresa de bitcoin treasury do mundo. Para os analistas Lance Vitanza e Jonnathan Navarrete, a Strategy não conseguirá capturar todo o novo ciclo de alta da criptomoeda.
Enquanto o Bitcoin é projetado a US$ 109 mil no final do ano — uma alta de 25% sobre os US$ 87,2 mil atuais —, os analistas da TD Cowen mantiveram o preço-alvo da Strategy em US$ 260. Segundo eles, a quantidade de bitcoin por ação ficou “menos robusta” após o desconto de dívidas e ações preferenciais emitidas pela empresa.
A engenharia financeira da Strategy
Para financiar compras de Bitcoin, a Strategy emitiu títulos conversíveis com juros entre 0% e 2,25% ao ano, com US$ 6,7 bilhões destes convertibles ainda em circulação. Durante o bull market, a ação negociava com um prêmio de duas a três vezes sobre o Bitcoin em caixa, o chamado NAV. A estratégia, batizada de BTC Yield, foi replicada por empresas como Méliuz (CASH3) e OranjeBTC (OBTC3).
Em 2025, Saylor adicionou uma camada mais cara: as preferenciais STRK, STRF, STRD, STRC e STRE, com dividendos de 8% a 12% ao ano. Contudo, o negócio de software da empresa não gerou caixa operacional positivo em 2025. Em maio, a companhia vendeu 32 BTC para pagar dividendos e, desde agosto, emite common stock (MSTR) para recomprar suas preferenciais (STRC).
Riscos e o futuro da companhia
Pelas contas da Strategy, o BTC Yield está em -3,7% em 2026, contra +22% em 2025. Guilherme Bandeira, da Solidus Wealth, aponta que o maior risco reside nas STRC. “Esse risco tende a se materializar principalmente em cenários de queda acentuada do Bitcoin, como ocorreu no final de junho, quando a confiança dos investidores diminui e a STRC é pressionada abaixo do par,” disse ele.
Na manhã de hoje, a Strategy anunciou a recompra de US$ 192 milhões em STRCs e a aquisição de 250 Bitcoins, via emissão de ações ordinárias, o que gera nova diluição. Ainda assim, o alvo de US$ 260 representa uma alta de 71% sobre os US$ 152 de sexta-feira. Apostar contra Saylor exige cautela, dado seu histórico de recuperação após a crise de 2000, quando a ação caiu 99,9% antes do comeback iniciado em 2020 com a alocação em Bitcoin.



