Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo

Bela Vista e escola em Osasco lideram taxas de abstenção na eleição em SP

A Zona Eleitoral da Bela Vista teve 28% de faltas no 1º turno na capital paulista, enquanto Tarcísio de Freitas se reelegeu governador do estado com 62,85%.

Em resumo

  • A 1ª Zona Eleitoral (Bela Vista) registrou 28% de abstenção no 1º turno em SP, local onde Lula obteve sua maior votação na capital (60,58%).
  • O CEMEI Alberto Santos Dumont, em Osasco, liderou as faltas no estado de SP, com 68,64% dos 405 eleitores aptos ausentes das urnas.
  • Tarcísio de Freitas foi reeleito governador paulista no primeiro turno com 62,85% dos votos válidos, superando Fernando Haddad (36,22%).

No dia 4 de outubro, a 1ª Zona Eleitoral da cidade de São Paulo, localizada na Bela Vista, registrou a maior taxa de abstenção da capital no primeiro turno de 2026, atingindo 28%. Do total de 147.692 eleitores aptos no local, 41.356 não compareceram às urnas. O índice na região superou a média do estado de São Paulo, que ficou em 22,56%, marcando a maior abstenção estadual desde pelo menos 2014. Foi exatamente na Zona Eleitoral da Bela Vista que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, alcançou seu maior percentual de votos na capital: 60,58%, somando 61.959 votos.

No resultado geral da capital paulista, Lula venceu o primeiro turno com 46,58% dos votos do eleitorado, frente a 42,13% de Flávio Bolsonaro (PL). O presidente saiu vitorioso em 35 zonas eleitorais, enquanto Flávio venceu em 22. Lula obteve suas maiores votações na Bela Vista e no Grajaú, ao passo que Flávio Bolsonaro liderou no Tatuapé e na Mooca. A 3ª Zona Eleitoral, situada na Santa Ifigênia, também na região central, apresentou a segunda maior abstenção da cidade, com 27,80% (40.007 ausentes de 143.909 aptos), dando vitória a Lula.

Locais e municípios com maior índice de ausência

No âmbito estadual, o local de votação com o maior percentual de ausências foi o Centro Educacional Municipal de Educação Infantil (CEMEI) Alberto Santos Dumont, em Osasco, na Grande São Paulo. Na instituição, 278 dos 405 eleitores aptos não votaram, gerando uma taxa de abstenção de 68,64%. A segunda maior abstenção por local ocorreu na Fundação Casa Guayi, em Guarulhos, destinada a jovens infratores, onde 65,85% dos eleitores faltaram (27 ausentes entre 41 aptos).

Entre os municípios do estado, Ilha Comprida, no litoral sul, registrou o maior índice de abstenção, com 32,75% (4.355 ausentes de 13.297 aptos). Barra do Turvo, no Vale do Ribeira, figurou em segundo lugar com 31,56% (1.933 faltas entre 6.314 aptos). Já no recorte por Zonas Eleitorais do estado, a liderança de faltas ficou com Ilha Solteira/Itapura, no extremo Noroeste, com 29,47% (7.040 abstenções de 23.892 aptos), seguida por Itanhaém/Mongaguá, no litoral Sul, com 29%. Flávio Bolsonaro venceu em 605 das 645 cidades paulistas no estado, enquanto Lula venceu na capital.

Histórico e panorama das abstenções

O índice de abstenção no estado de São Paulo em anos anteriores foi de 21,61% em 2022 (7.495.213 eleitores), 21,52% em 2018 (7.111.896 eleitores) e 19,52% em 2014 (6.245.198 eleitores). Em todo o país, a ausência de eleitores atingiu 21,08%, o maior percentual em um primeiro turno presidencial desde 1998, quando chegou a 21,49%. A taxa nacional registra crescimento contínuo desde 2006, passando de 16,75% naquele ano para 18,12% em 2010, 19,39% em 2014, 20,33% em 2018 e 20,95% em 2022, lembrando que o percentual de 2026 ainda pode sofrer alterações com a conclusão da apuração.

O conceito de abstenção refere-se à ausência física do eleitor na votação. Já os votos brancos e nulos são contabilizados para quem comparece, mas não destina voto válido a um candidato. Na parcial contabilizada às 21h20, os votos em branco para a presidência somavam 1,84%, enquanto os votos nulos representavam 2,93%.

Reeleição de Tarcísio de Freitas no Governo de SP

Na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito governador de São Paulo neste domingo (4), derrotando Fernando Haddad (PT) pela segunda vez consecutiva em uma eleição estadual. Tarcísio alcançou 62,85% dos votos válidos, contra 36,22% obtidos por Haddad. O resultado foi matematizado e confirmado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) às 19h39, quando a apuração atingiu 90% das urnas.

Em seu discurso após a confirmação da vitória, Tarcísio declarou:

“Quero agradecer Jair Bolsonaro que me abriu as portas muito tempo a lutas e passa por sofrimento hoje. Mas o tempo da justiça está chegando.”

A disputa de 2026 reeditou o embate de 2022 entre os dois candidatos, porém sem necessidade de segundo turno. Em 2022, Tarcísio havia vencido Haddad na segunda etapa por 55,27% a 44,73% (diferença de 10,54 pontos percentuais). Em 2026, a vantagem ampliou-se para 26,63 pontos percentuais. Tarcísio tem 51 anos, nasceu no Rio de Janeiro e atuou como ministro da Infraestrutura no governo Jair Bolsonaro.

Dinâmica e temas da campanha estadual

A campanha paulista transcorreu com poucos candidatos competitivos e baixa oscilação nas pesquisas, polarizando a corrida entre Tarcísio e Haddad. O ex-ministro da Fazenda declarou no início do ano que não desejava disputar o governo paulista e preferia colaborar na campanha de Lula, mas atendeu ao pedido do presidente. Enquanto Haddad oscilou na faixa dos 20% até atingir cerca de 30% nos levantamentos finais, Tarcísio manteve-se na casa dos 40% a 50% dos votos totais.

Episódios como o acidente na obra da Sabesp na Zona Oeste de São Paulo que matou quatro pessoas em maio, o incêndio em trem da concessionária Trívia Trens e a devolução temporária da concessão à CPTM ocorreram durante a campanha. Segundo o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), escândalos envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o filme “Dark Horse” e divergências no Supremo Tribunal Federal (STF) direcionaram as atenções para pautas nacionais. Carvalho destacou:

“O quadro nacional obviamente afetou São Paulo. E o Tarcísio também procurou ficar distante desse processo por conta da posição confortável dele na pesquisa e dos escândalos envolvendo o Flávio. Tanto que ele não apoiou Flávio Bolsonaro de maneira tão enfática, o que fez apenas nessa reta de chegada e evitou participar de debate público”

, acrescentando que

“O Tarcísio manteve distância do Flávio para o Flávio não puxá-lo para baixo. E, ao mesmo tempo, também a posição confortável dele [nas pesquisas] recomendava que ele não saísse do debate local. Os escândalos, tanto o Vorcaro como o Dark Horse e todas as questões do Supremo, ocuparam a agenda nacional, em tudo quanto é lugar. (…) Isso acabou afetando a agenda estadual e tomando espaço para a discussão dos problemas locais do estado”

.

O cientista político e sociólogo Antonio Lavareda analisou que

“A campanha terminou sendo nacionalizada, até pelo fato de o candidato oposicionista [Haddad] ser o ex-ministro da Fazenda”

. Lavareda observou ainda que

“A demora da oposição em definir um nome sempre ajuda aquele que busca a reeleição , porque diminui na prática o tempo da pré-campanha, possibilitando ao mesmo seguir sem sofrer maiores ataques, capitalizando a todo vapor, sem contestação direta, a ‘vantagem do incumbente'”

. Sobre a estratégia do PT, o especialista ponderou:

“Pode ter sido um erro de estratégia optar por fazer uma disputa binária contra um governador com aprovação elevada. Com mais candidatos, pelo menos um outro com peso razoável e posicionamento mais ao centro, poderia ter sido maior a chance de ocorrer um segundo turno. Imaginar que eleitores em quantidade suficiente desgarrariam de Tarcísio e atravessariam a rua para endossar Haddad foi uma aposta implausível. A expressão eleitoral do ex-governador Márcio França, ao que parece, terminou sendo desperdiçada na vice do petista”

.

Durante os debates, a segurança pública, a privatização da Sabesp, a saúde e a educação foram temas centrais. Haddad criticou a atuação estadual em relação a facções criminosas (citando o Comando Vermelho e o PCC) e prometeu rever privatizações como a da Sabesp, questionando também filas na saúde e atendimento a crianças atípicas nas escolas. Tarcísio defendeu a redução de indicadores criminais, elogiou os investimentos e a capacidade da Sabesp privatizada, destacou avanços na saúde digital e enfatizou o selo ouro concedido pelo Ministério da Educação a São Paulo. O governador iniciou sua campanha em Osasco, quinto maior colégio eleitoral do estado.