Terça-feira, 20 de outubro de 2026 · São Paulo

Amazonas mantém 94,6% de vegetação, mas enfrenta pressão

Estudo do MapBiomas aponta que o Amazonas tem 94,6% do bioma com vegetação nativa, mas sofre com pressões nas fronteiras e na BR-319.

Em resumo

  • O Amazonas manteve 94,6% de vegetação nativa no bioma em 2025, segundo o estudo do MapBiomas.
  • A região da AMACRO acumulou perda de 7 milhões de hectares de florestas desde 1985.
  • A vegetação nativa cobre 86% da área em um raio de 20 quilômetros da rodovia BR-319.

O estado do Amazonas registrou 94,6% de seu território no bioma coberto por vegetação nativa em 2025, garantindo a segunda posição no ranking de conservação da Amazônia, atrás apenas do Amapá. É o que aponta o estudo “Bioma Amazônia” feito pelo MapBiomas, divulgada nesta quarta-feira (14). Apesar dos índices robustos de preservação, o levantamento detalha que o estado enfrenta pressões crescentes em suas fronteiras e áreas de entorno, impulsionadas pelo avanço da infraestrutura e da agropecuária.

Confira abaixo a porcentagem de vegetação nativa na Amazônia em cada estado onde a floresta se faz presente:

  • Amapá (AP): 95,5%
  • Amazonas (AM): 94,6%
  • Roraima (RR): 92,3%
  • Acre (AC): 84,2%
  • Mato Grosso (MT): 61,7%
  • Rondônia (RO): 59,1%
  • Maranhão (MA): 49,8%
  • Tocantins (TO): 24,6%

O cerco na tríplice divisa entre Amazonas, Acre e Rondônia

O reflexo dessas pressões atinge o Amazonas indiretamente por meio de suas divisas, com destaque para a região da AMACRO, zona de confluência entre os municípios do Amazonas, Acre e Rondônia. Embora ocupe 11% do bioma, essa área foi responsável por 13% de toda a perda de vegetação nativa registrada na Amazônia nos últimos 41 anos, acumulando uma redução de 7 milhões de hectares de florestas desde 1985, uma queda de 16%.

O ritmo da destruição na região se intensificou na última década, período que concentrou a perda de 2,7 milhões de hectares entre 2015 e 2025. Impulsionada principalmente pela conversão do solo, a área de pastagem na zona de influência da AMACRO disparou e ficou cerca de 15 vezes maior desde 1985, acumulando um acréscimo de 6,6 milhões de hectares.

A AMACRO começou a ser idealizada em 2019 por lideranças do agronegócio, pesquisadores da Embrapa Territorial e governos do Acre, Amazonas e Rondônia. A proposta socioeconômica, que abrange 32 municípios na tríplice divisa dos estados, busca integrar bioeconomia, infraestrutura e regularização fundiária na região. O projeto foi oficializado pelo Governo Federal em novembro de 2021.

O papel estratégico e os riscos ao longo das rodovias

Ainda conforme o estudo, infraestrutura viária segue como um dos principais vetores de aproximação do desmatamento. O levantamento do MapBiomas cruza dados de uso do solo com a malha de rodovias e demonstra como a atividade agropecuária avança pelas margens das estradas. Sobre esse cenário, o pesquisador Bruno Ferreira alerta para os riscos associados à abertura de novos caminhos.

“A expansão das estradas não representa apenas a abertura de novos caminhos de circulação. Ela também amplia o acesso a áreas antes mais isoladas e pode facilitar a chegada de diferentes atividades e formas de ocupação do território.”

Ele destaca que o avanço da infraestrutura, especialmente quando acompanhado pela abertura de ramais e acessos secundários, requer atenção a curto e a longo prazo, pois pode conectar fronteiras de desmatamento, exploração de madeira, ocupação irregular em extensas áreas de vegetação nativa e áreas protegidas.

O MapBiomas destaca que, enquanto a agropecuária ocupa grande parte das áreas próximas a rodovias de estados vizinhos, o Amazonas ainda mantém a vegetação nativa preservada ao longo da BR-319. Em um raio de 20 quilômetros da rodovia, a floresta corresponde a 86% da área. Para comparação, esse percentual é de 43,5% na BR-364 e de 39% na BR-163.