Sábado, 31 de outubro de 2026 · São Paulo
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B3 perde R$ 948,8 bilhões em valor de mercado em uma semana

Retração de 16,41% em cinco pregões levou o total de empresas listadas na Bolsa de R$ 5,780 trilhões para R$ 4,831 trilhões.

Em resumo

  • B3 perdeu R$ 948,82 bilhões em valor de mercado em uma semana de 5 pregões.
  • O total na Bolsa passou de R$ 5,780 trilhões para R$ 4,831 trilhões.
  • A queda ocorreu após o 2º turno das eleições presidenciais em 25 de outubro.

O valor de mercado das companhias listadas na B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) caiu R$ 948,82 bilhões em uma semana. A retração foi de 16,41% em 5 pregões, segundo cálculos com base nos dados diários de valor de mercado divulgados pela B3. O total passou de R$ 5,780 trilhões em 23 de outubro para R$ 4,831 trilhões na 6ª feira (30.out). A perda equivale a quase R$ 950 bilhões em valor de mercado das empresas negociadas na Bolsa brasileira.

O valor de mercado corresponde à multiplicação do preço das ações pela quantidade de papéis de cada companhia. A redução demonstra a desvalorização das empresas na Bolsa e não significa que R$ 948,82 bilhões tenham sido efetivamente retirados do mercado pelos investidores. O levantamento considera o conjunto de 342 empresas listadas na B3.

Eis a variação por grupo de empresas: total geral da B3 – queda de R$ 948,82 bilhões (-16,41%), de R$ 5,780 trilhões para R$ 4,831 trilhões; IBrX 100 – queda de R$ 869,69 bilhões (-16,26%), de R$ 5,347 trilhões para R$ 4,477 trilhões; Ibovespa – queda de R$ 817,32 bilhões (-15,87%), de R$ 5,150 trilhões para R$ 4,332 trilhões. Os valores do Ibovespa e do IBrX 100 estão incluídos no total geral da B3. Os indicadores representam carteiras de ações que se sobrepõem e, por isso, suas perdas não devem ser somadas.

As companhias que não integram o Ibovespa perderam R$ 131,50 bilhões em valor de mercado no período. A retração foi de 20,86% ante o valor dessas empresas em 23 de outubro. Já as companhias que não fazem parte do IBrX 100 registraram perdas de R$ 79,13 bilhões. Os dados constam no levantamento de valor de mercado das empresas listadas na B3, divulgado pela Bolsa.

A consulta diária apresenta o valor de mercado das companhias negociadas no mercado à vista, com os totais referentes às carteiras do IBOV (Ibovespa), do IBXX (IBrX 100) e ao Total Geral (conjunto de empresas listadas). O histórico dos dados pode ser consultado na seção de boletins diários da B3, via pesquisa por pregão.

Valor em dólares

Medido em dólares, o valor de mercado das empresas listadas na B3 caiu 21,64% na semana. Passou de US$ 1,147 trilhão em 23 de outubro para US$ 899,03 bilhões em 30 de outubro. A perda foi de US$ 247,97 bilhões. A retração em dólares foi maior do que a registrada em reais porque a conversão também incorpora a desvalorização da moeda brasileira frente à norte-americana no período.

Por índice, a queda em dólares foi de: Ibovespa – 21,13%, de US$ 1,022 trilhão para US$ 806,20 bilhões; IBrX 100 – 21,50%, de US$ 1,061 trilhão para US$ 833,14 bilhões.

Peso do Ibovespa

O Ibovespa reúne ações de empresas entre as mais negociadas do mercado brasileiro. Por concentrar companhias de grande porte e elevada liquidez, o índice representa a maior parte do valor de mercado da Bolsa. Em 23 de outubro, as empresas integrantes do Ibovespa correspondiam a 89,09% do valor total da B3. Em 30 de outubro, a participação havia subido para aproximadamente 89,7%.

O IBrX 100, que reúne os 100 ativos de maior negociabilidade da Bolsa, representava 92,7% do valor de mercado total em 30 de outubro, o equivalente a R$ 4,477 trilhões. As companhias integrantes do Ibovespa responderam por R$ 817,32 bilhões, ou 86,1% de toda a perda de valor de mercado registrada pela B3 na semana. Os outros R$ 131,50 bilhões corresponderam às empresas que não fazem parte do principal índice da Bolsa.

Entenda

A queda se deu na semana seguinte ao 2º turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro. O resultado eleitoral provocou uma reprecificação dos ativos brasileiros, com revisão das expectativas dos investidores sobre a política econômica e fiscal do país.

Parte do mercado apostava na vitória de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cujo programa econômico era visto como mais favorável ao controle dos gastos públicos e ao ajuste fiscal. A expectativa era de que uma política de contenção das despesas ajudasse a estabilizar a dívida pública, reduzir a percepção de risco fiscal e abrir espaço para juros menores no longo prazo.

Com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os investidores passaram a questionar o compromisso do próximo mandato com esse tipo de ajuste, o que aumentou a cautela em relação aos ativos brasileiros.

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