Sábado, 31 de outubro de 2026 · São Paulo
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Pescadores retomam atividades na foz do Rio Doce após quase 11 anos do desastre

Governo federal liberou a pesca em trechos do Espírito Santo após nota técnica da Anvisa indicar redução nos níveis de contaminantes em pescados.

Em resumo

  • Pescadores retomam atividades na foz do Rio Doce, no Espírito Santo, após quase 11 anos do rompimento da barragem de Mariana.
  • A liberação da pesca foi autorizada pelo governo federal em trechos de Aracruz e Linhares com base em nota técnica da Anvisa.
  • O monitoramento da qualidade da água, dos sedimentos e dos pescados seguirá sendo realizado pelos próximos dez anos.

Quase 11 anos após o rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, pescadores retomaram as atividades na foz do Rio Doce, no Espírito Santo. Em Regência, no norte capixaba, a cor da água já não causa o mesmo espanto de uma década atrás, quando a lama tomou conta da paisagem. O desastre, ocorrido em novembro de 2015, despejou mais de 40 milhões de m³ de rejeitos de minério que atingiram o Rio Doce e chegaram ao mar. Em fevereiro de 2016, a pesca foi proibida na região devido à contaminação.

“A pesca antigamente era fartura, a gente vivia bem. Hoje, houve essa fatalidade aí”, diz o pescador Amauri Gomes da Rocha.

Nesta semana, uma portaria do governo federal autorizou as atividades pesqueiras no trecho entre a Barra do Riacho, em Aracruz, até Degredo e Ipiranguinha, em Linhares, com limite de até 20 m de profundidade. A decisão baseou-se em uma nota técnica da Anvisa, que apontou que os níveis de contaminantes nos pescados da região não apresentam indícios de preocupação no momento, considerando dados de monitoramento ambiental.

Pesquisadores que analisam a presença de metais em peixes, camarões e caranguejos confirmam a redução nos indicadores de contaminação, com percentuais abaixo do limite estabelecido pela Anvisa. “Nos últimos dois anos de monitoramento – dois anos contando a última coleta em janeiro desse anos, que é o perídio chuvoso, em 2026 -, a gente não tem visto um aumento além de 5% de não conformidade de elementos metálicos legislados pela Anvisa – que são quatro elementos metálicos”, afirma Fabian Sá, coordenador do Monitoramento da Biodiversidade Aquática – FEST/UFES.

Monitoramento contínuo

Embora a liberação da pesca seja um passo relevante, pesquisadores ressaltam que a recuperação do rio não está concluída. O monitoramento da água, dos sedimentos e dos peixes seguirá pelos próximos dez anos. “Em períodos de chuva, dependendo de onde chove na bacia do Rio Doce e do volume de chuva, a gente volta a ter uma piora na qualidade da água. A gente vai continuar fazendo o mesmo monitoramento. Então, são mais dez anos pela frente em que a gente vai dar subsídios de dados para os órgãos competentes”, explica Fabian Sá.

Os ministérios da Pesca e do Meio Ambiente informaram que a água e os sedimentos são monitorados continuamente e não há alertas de não conformidade. A retomada será acompanhada por um plano de ação articulado com o Ministério da Saúde e a Anvisa, com possibilidade de alteração nas decisões a qualquer momento. Os pescadores prejudicados seguirão recebendo o auxílio de um salário mínimo e meio por mês.

Para os trabalhadores locais, o retorno à atividade ainda envolve incertezas. “Tem as interrogações. É isso que ainda nos segura a voltar, de fato, para essa água e exercer o que a gente fazia, que é a pesca”, diz o pescador Adailton Alcântara.

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