Sexta-feira, 30 de outubro de 2026 · São Paulo
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Estudantes da UFF realizam ato em Niterói após primeiro turno

Protesto convocado por centros acadêmicos reuniu centenas de pessoas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro em 5 de outubro.

Em resumo

  • Estudantes da UFF realizaram passeata em Niterói na noite de 5 de outubro.
  • O protesto reuniu centenas de pessoas após o primeiro turno das eleições.
  • A mobilização integrou uma campanha nacional em apoio ao presidente Lula.

Centenas de pessoas participaram de uma passeata em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, na chuvosa noite de segunda-feira, 5 de outubro, dia seguinte ao primeiro turno das eleições. O protesto foi convocado pelo Centro Acadêmico Evaristo da Veiga e pela Associação Atlética Acadêmica Camillo Guerreiro, ambos do curso de direito da Universidade Federal Fluminense (UFF), após o resultado das urnas que apontou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 47% dos votos válidos e o presidente Luiz Inácio Lula com 45%.

Moradores de prédios vizinhos e transeuntes se juntaram aos estudantes na caminhada, que passou pela reitoria da UFF, no bairro de Icaraí, e retornou à Faculdade de Direito, no Ingá. O protesto foi gestado na noite de domingo (4), diante do resultado eleitoral que gerou preocupação nos universitários em relação à educação pública. A proposta de retirar as universidades do Ministério da Educação e passá-las para o de Ciência e Tecnologia constava no plano de governo do candidato do PL, o que acendeu alertas sobre possíveis cortes em infraestrutura e auxílio permanência.

A reação estudantil também levou em conta a experiência recente durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), período em que a UFF sofreu contingenciamentos de verbas após episódios em que o então ministro da Educação, Abraham Weintraub, acusou universidades de promoverem balbúrdia. Alunos apontaram o receio de perder o suporte financeiro essencial para pesquisas e para a permanência de estudantes mais pobres, negros e periféricos.

Na noite da apuração, os estudantes se articularam para convocar o ato do dia seguinte, abrindo a bandeira do Direito Antifascista. Com a mobilização, cursos de outras áreas aderiram ao protesto, como Relações Internacionais e Desenho Industrial. Durante a caminhada, houve relatos de ovos arremessados de sacadas contra o grupo pacífico, evidenciando o clima de tensão no período eleitoral.

A mobilização ganhou tração ao longo da semana, com atos em cidades como o Rio de Janeiro e Brasília, integrando uma campanha popular pela reversão do resultado eleitoral. Historiadores e especialistas apontam que o protagonismo estudantil é uma marca histórica no Brasil, com antecedentes em pautas nacionais desde o período anterior à ditadura militar e em mobilizações de décadas passadas.

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