Eliette Amaral, de 63 anos, quase não foi à festa de aniversário de um fã-clube do BTS em 2022. O convite veio da afilhada, e o encontro seria em Maringá, no Paraná, cidade vizinha de Sarandi, onde ela mora. “Morri de vergonha, mas fui”, conta. Levou junto a neta, que na época tinha 15 anos.
Lá dentro, só havia meninas. Eliette foi a mais velha da festa até chegar outra senhora da idade dela, e as duas passaram a noite conversando. Depois vieram outros encontros, sessões de cinema, troca de lembrancinhas e um grupo de amigas, muitas delas bem mais novas. “É um bando de mulheres apaixonadas por sete meninos”, resume.
O grupo sul-coreano faz três apresentações no estádio do MorumBIS, em São Paulo, nesta quarta-feira (28/10) e nos dias 30 e 31 de outubro. Os integrantes estavam em hiato desde 2022, quando suspenderam as atividades para cumprir o serviço militar obrigatório, e a última passagem do BTS pelo Brasil foi em 2019. Todos os setores das três datas esgotaram em menos de uma hora e meia depois da abertura da venda geral.
Formado em Seul em 2013, o BTS tem sete integrantes: o líder RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jungkook. A sigla vem de Bangtan Sonyeondan, algo como “garotos à prova de balas” em coreano. Segundo J-Hope, a ideia era bloquear estereótipos, críticas e expectativas. Em 2017, o grupo passou a usar também o nome Beyond the Scene, “além da cena”. Em 2026, depois de quase três anos de hiato, voltou com o álbum Arirang, que dá nome à turnê.
A BBC News Brasil conversou com três fãs com mais de 60 anos, familiares delas e uma especialista em envelhecimento para entender o lugar que o BTS ocupa na vida delas. Eliette ouviu falar do BTS pela primeira vez pela afilhada, que foi ao show do grupo no Brasil em 2019. Na época, não deu atenção. O estalo veio em 2022, quando viu Jungkook, o integrante mais novo, cantar Dreamers, a música oficial da Copa do Mundo do Catar, na cerimônia de abertura do torneio, em novembro de 2022.
Ela estava se aposentando e tinha passado por duas covids. Ficou muito doente e passava os dias trancada em casa, “meio depressiva”, vendo doramas (séries de TV sul-coreanas). Hoje participa de dois grupos de fãs e ajuda a montar um terceiro, em Sarandi, interior do Paraná. Durante o período em que os integrantes do BTS cumpriam o serviço militar — os últimos deixaram o serviço em junho de 2025 —, as amigas mantiveram o hábito de se reunir para assistir a shows antigos e comemorar o aniversário de cada um deles.
Júlia Fernandes Soares Augusto, de 86 anos, chegou ao BTS por outro caminho. Pensionista, ela acompanhava outros grupos coreanos, quando pediu ao neto Raphael que lhe mostrasse outros artistas. “Entre as sugestões estava o BTS, e foi amor à primeira vista”, conta em entrevista junto da neta, a professora Beatriz Horta, de 28 anos, em entrevista à BBC News Brasil. O preferido dela é J-Hope. Quando a turnê foi anunciada, Júlia pediu à neta que a levasse ao show.
Em Itapeva, no interior de São Paulo, a família de Maria Helena Loureiro dos Santos, a Marlene, de 67 anos, foi a primeira a notar uma mudança. Após receber o diagnóstico de Alzheimer, em 2023, ela passou a apresentar alterações de humor e episódios de agitação. Nesse período, também começou a passar horas no celular assistindo a vídeos do BTS. “Eu acho que o BTS está acalmando a vó”, diziam as netas, segundo a filha de Marlene, Luana Loureiro Leme, de 43 anos.







