Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25) e governará o Brasil por mais quatro anos. Com a vitória do petista e a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas, o mercado financeiro passou esta segunda-feira (26) no vermelho, chegando a registrar queda de 16,48% e acionando o circuit breaker — algo que não acontecia desde o início da pandemia de Covid-19 no Brasil, em 2020.
O circuit breaker é um mecanismo de segurança da Bolsa de Valores brasileira (B3) que interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa registra quedas muito acentuadas. O objetivo é conter movimentos de pânico no mercado financeiro e dar tempo para que os investidores reavaliem suas decisões.
A pandemia de Covid-19 em 2020
Naquela ocasião, o coronavírus avançava rapidamente pelo país, os primeiros óbitos pela doença começavam a ser registrados e estados e municípios começavam a adotar medidas de isolamento social para tentar conter a disseminação do vírus. Com toda a incerteza que pairava sob a pandemia e a economia global, o mercado financeiro protagonizou uma debandada do Ibovespa, resultando em uma queda vertiginosa. Ao todo, o mecanismo foi acionado 6 vezes na pandemia: 9 de março: o mecanismo foi acionado pela primeira vez naquele ano, após o Ibovespa despencar mais de 10% durante o pregão. 11 de março: no mesmo dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente a pandemia de Covid-19, a Bolsa brasileira voltou a interromper as negociações após uma queda acentuada. 12 de março: o circuit breaker foi acionado duas vezes no mesmo dia. A primeira interrupção ocorreu após uma queda de 10% do Ibovespa. Depois da retomada das negociações, o índice chegou a recuar 15%, provocando uma segunda paralisação. 16 de março: a Bolsa voltou a interromper as operações após o Ibovespa registrar uma queda superior a 12% na abertura do pregão. 18 de março: o mecanismo foi acionado sexta e última vez em 2020. Naquele dia, o Ibovespa encerrou o pregão com queda de 10,35%. Apesar dos seis acionamentos registrados em um único mês de 2020, esse período representa apenas uma pequena parcela de todas as vezes em que o circuit breaker foi acionado na Bolsa brasileira.
Joesley Day em 2017
Três anos antes da pandemia da covid-19, em 18 de maio de 2017, ocorreu o episódio que ficou conhecido como “Joesley Day”, em referência ao empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS. Na véspera, o jornal O Globo havia revelado a existência de uma gravação feita pelo empresário durante uma conversa com o então presidente Michel Temer (MDB). O conteúdo levantou suspeitas de que Temer teria dado aval à compra do silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que estava preso. Temer negou as acusações. A revelação provocou uma crise política e uma forte reação do mercado financeiro. Na manhã seguinte, o Ibovespa chegou a despencar mais de 10%, acionando o circuit breaker e suspendendo as negociações por 30 minutos. Ao final do pregão, a Bolsa acumulou queda de 8,8%.
Crise imobiliária nos EUA em 2008
Em 2008, durante a crise financeira internacional, o mecanismo também foi acionado diversas vezes. Em 22 de outubro, a bolsa fechou com queda de 10,18%. Naquele mês, as negociações foram interrompidas quatro vezes por 30 minutos e uma vez por uma hora. Os mercados internacionais enfrentavam forte turbulência diante da quebra de instituições financeiras nos Estados Unidos, da necessidade de socorro bilionário aos bancos e das preocupações com a situação do sistema bancário europeu. Ao todo, foram seis acionamentos: 29 de setembro: primeiro acionamento do ano. 6 de outubro: dois acionamentos no mesmo dia. 10 de outubro: quarta interrupção. 15 de outubro: quinta interrupção. 22 de outubro: sexta interrupção.
Crise cambial em 1999
Em janeiro de 1999, o circuit breaker também foi acionado na Bolsa brasileira, em meio a uma crise cambial. Na época, o Brasil enfrentava uma intensa saída de dólares do país, enquanto investidores temiam que o governo não conseguisse manter a política de controle da cotação da moeda americana. A turbulência ganhou força após o Banco Central anunciar mudanças na política cambial. Em 14 de janeiro, as negociações na Bolsa foram suspensas por 30 minutos, após uma queda acentuada das ações. Ao final do pregão, o índice acumulou perdas de 9,33%.
Crise financeira russa em 1998
Em 1998, o circuit breaker foi acionado cinco vezes na Bolsa brasileira, em meio à crise financeira que atingiu a Rússia. Naquele ano, o governo russo enfrentava uma grave crise econômica, marcada pela desvalorização de sua moeda e pela dificuldade de pagar suas dívidas, levando investidores a retirar recursos de países considerados mais arriscados, como o Brasil. Um dos momentos mais críticos ocorreu em 10 de setembro de 1998, quando as negociações na Bolsa brasileira foram interrompidas por uma hora. Ao final daquele pregão, o índice acumulou queda de 15,82%.
A criação do mecanismo e primeiro acionamento
O circuit breaker foi acionado pela primeira vez no Brasil em 28 de outubro de 1997, em meio à crise financeira asiática, que começou na Tailândia e se espalhou por outros países da região, provocando fortes quedas nas bolsas de valores ao redor do mundo. Na véspera, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) havia registrado uma queda superior a 14%, pressionada pelo temor dos investidores de que a crise atingisse outras economias. No dia seguinte, o mecanismo foi utilizado pela primeira vez para interromper as negociações e conter o pânico no mercado financeiro. Ainda em 1997, o circuit breaker voltou a ser acionado outras duas vezes.



