Domingo, 25 de outubro de 2026 · São Paulo
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Árvore nativa melhora a saúde do solo de pastagens, aponta estudo

Pesquisa da Embrapa e do Cena-USP mostra que a árvore bordão-de-velho traz vantagens para sistemas silvipastoris e aumenta o carbono no solo.

Em resumo

  • A árvore bordão-de-velho aumenta a qualidade biológica do solo em sistemas silvipastoris.
  • A espécie Samanea tubulosa é nativa da América tropical e encontrada em várias regiões do Brasil.
  • A pesquisa foi desenvolvida pela Embrapa e pelo Cena-USP com foco na sustentabilidade.

Pesquisa da Embrapa e do Cena-USP (Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo) demonstrou que a árvore bordão-de-velho (Samanea tubulosa) apresenta várias vantagens ao ser usada em sistemas silvipastoris, que integram a produção pecuária com a florestal. Um dos ganhos é o aumento da qualidade biológica do solo, o qual estoca mais carbono e mantém comunidades de microrganismos mais estáveis, com maior número de espécies. O estudo faz parte da tese de doutorado de Henrique Nery Cipriani, pesquisador da Embrapa Florestas (PR), sob a orientação da professora Tsai Siu Mui, do Cena-USP, campus de Piracicaba. Leguminosa nativa da América tropical, a árvore é encontrada em quase todas as regiões do Brasil. Por isso, tem ampla adaptabilidade no país.

“Ela já era considerada uma das melhores espécies de árvore para a integração com pastagens, pois além da sombra proporcionada ao gado, ela é capaz de fixar nitrogênio no solo e ainda produz frutos apreciados pelos animais”, conta Cipriani. O pesquisador ressalta que, apesar de o aproveitamento madeireiro do bordão-de-velho não ser tão vantajoso —diferentemente do eucalipto, por exemplo—, os vários benefícios promovidos pela leguminosa a tornam interessante para pecuaristas.

Árvore apresenta múltiplos usos

A Samanea tubulosa, popularmente conhecida como bordão-de-velho, é uma árvore da família Fabaceae, a mesma de leguminosas como soja e feijão. No Brasil, é encontrada em diferentes regiões e formações vegetais e também em outros países sul-americanos. A espécie apresenta ampla adaptação a diferentes condições ambientais. No Brasil, há registros de ocorrência em Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e Sergipe. Além de bordão-de-velho, a Samanea tubulosa recebe diferentes nomes populares conforme a região, entre eles barba-de-velho, abobreira, farinha-seca, ingá-de-pobre, samaneiro, sete-cascas e árvore-da-chuva.

A árvore pode atingir cerca de 28 metros de altura e apresenta copa ampla e flores vistosas, de coloração branca, rosada ou púrpura. Seus frutos são vagens procuradas pelo gado, e ramos e frutos pueden ser utilizados na alimentação animal. A espécie também proporciona sombra em pastagens e possui nodulação das raízes associada a bactérias do gênero Rhizobium. Pode ser empregada em sistemas agroflorestais e silvipastoris, além de ter usos paisagísticos e madeireiros.

Estudo amplia perspectivas

O estudo integra uma linha de pesquisa desenvolvida por Cipriani sobre a qualidade do solo em sistemas silvipastoris. O artigo Native tree species in silvopastoral system outperforms Eucalyptus in enhancing soil health, publicado na RBCS (Revista Brasileira de Ciência do Solo), apresenta resultados de amostras coletadas em 2022. A tese de doutorado do pesquisador, por sua vez, analisou amostras coletadas em 2024. Os dois trabalhos se complementam.

Para a orientadora de Cipriani, o trabalho contribui para o debate sobre a sustentabilidade dos sistemas agropecuários tropicais ao demonstrar os benefícios do bordão-de-velho (Samanea tubulosa) para a saúde do solo em comparação ao eucalipto (Eucalyptus pellita). “Os resultados são promissores e reforçam o potencial da biodiversidade nativa para a ciclagem de nutrientes e o sequestro de carbono, abrindo novas perspectivas para o manejo desses sistemas no Brasil”, afirma.

Este texto foi publicado originalmente pela Embrapa em 20 de outubro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360

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