Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo

Risco de queda leva gigantes do futebol às fronteiras do desespero

Grêmio e Corinthians enfrentam crises institucionais e técnicas na reta final do Campeonato Brasileiro.

O técnico Eduardo Baptista melhorou o comportamento do Inter em campo. Nos dois jogos desde a chegada do treinador, a equipe se mostrou mais atenta e confiante, embora mantenha seus graves problemas estruturais. Foi o suficiente para vencer o Corinthians e empatar fora de casa com o Grêmio, dois concorrentes diretos na luta contra o rebaixamento. O Z-4 tem lá suas variações de humor, e hoje ele clareia o horizonte colorado, enquanto os rivais mergulham em uma tempestade assustadora.

Neste domingo, ficou evidente o impacto dos clássicos em Corinthians e Grêmio. Após a derrota de 4 a 1 para o Palmeiras, o zagueiro corintiano Gabriel Paulista cobrou publicamente a diretoria e, com lágrimas nos olhos, afirmou viver um pesadelo. Em Porto Alegre, o técnico Renato Gaúcho deu uma entrevista incendiária depois do 1 a 1 com o Inter: culpou a direção pela montagem do elenco, criticou a quantidade de estrangeiros no Grêmio e questionou a qualidade de seu grupo.

São dois clubes nas fronteiras do desespero. O Tricolor, dentro da zona de rebaixamento, tem uma tabela pesadíssima pela frente, ainda enfrentando quatro dos seis primeiros colocados. Renato não consegue melhorar o rendimento da equipe, um conjunto vazio tático. No discurso deste domingo, o ídolo gremista já começou a avisar que um eventual rebaixamento não será responsabilidade sua.

E o Corinthians vive a façanha das oito derrotas consecutivas no Brasileirão, em queda livre na direção do Z-4, tendo a mesma pontuação do Inter, o 17° colocado. O clube passou as duas semanas da Data Fifa com Fernando Diniz como técnico e então decidiu demiti-lo na volta dos jogos, indo para o clássico com um interino. No dia do Dérbi, anunciou a contratação de Seedorf, que não trabalha como treinador há sete anos.

O Corinthians não tem time para cair, mas muita gente cai sem ter time para cair. Rebaixamentos de clubes grandes costumam ser originados mais pelo caos institucional do que pelos problemas em campo. E estamos falando de um clube com uma dívida na casa dos R$ 3 bilhões e sob risco de intervenção judicial.

“Uma hora a conta chega”, disse Renato sobre a montagem do elenco do Grêmio.

Renato também poderia estar se referindo à forma de não gerir o Corinthians, vítima de diretorias que se sucedem na arte de destruir o clube. Seedorf terá oito jogos para evitar a tendência de rebaixamento. É possível que em breve, a exemplo de Renato, se veja obrigado a sinalizar à torcida que a culpa pela queda não é dele.