Sexta-feira, 9 de outubro de 2026 · São Paulo

Usar dois antivírus no PC pode causar conflitos graves, diz Microsoft

Veterano engenheiro da Microsoft explica por que rodar dois softwares antimalware ao mesmo tempo gera o caos no Windows.

Se usar um antivírus é bom, contar com dois é melhor? Não é bem assim. Quem explica o motivo é Raymond Chen, o veterano engenheiro de software da Microsoft que há anos publica histórias de bastidores da companhia.

Não é que todo mundo tenha o ímpeto de usar duas ou mais soluções de segurança similares no mesmo computador. Na verdade, o comportamento padrão é o de utilizar apenas uma solução e, quando houver necessidade de uso de uma nova, a anterior deverá ser removida. Mas toda regra tem sua exceção.

Chen relata o caso de um colega da equipe de suporte corporativo da Microsoft que se deparou com um caso do tipo envolvendo um cliente da companhia. O computador desse cliente apresentava uma falha complexa. O colega de Chen descobriu, após uma extensa investigação, que o problema se manifestava porque a máquina rodava dois softwares antimalware de diferentes fornecedores.

Para não citar nomes comerciais, Chen chamou os dois softwares de Fabrikam e Contoso. De acordo com o engenheiro, o Fabrikam acionou uma função que havia sido interceptada pelo Contoso. Este último considerou esse comportamento suspeito e tentou colocar o processo do Fabrikam em quarentena. Esse conflito era o que causava problemas no Windows.

O Fabrikam também já tinha interceptado uma função que o próprio Contoso usava; este, ao tentar isolar o processo do Fabrikam, acabou chamando justamente a função modificada pelo software que ele estava tentando colocar em quarentena. O resultado foi o caos.

Teoricamente, um antivírus poderia reconhecer o outro. Mas, neste caso, as empresas que desenvolvem as soluções de segurança teriam que trabalhar juntas na criação de um mecanismo de reconhecimento mútuo ou, então, contar com a Microsoft para orientar esse trabalho. Contudo, nenhuma empresa de segurança quer que a sua solução seja complementada com a de um concorrente.

Chen resume a situação da seguinte forma:

Instalar dois programas antimalware no mesmo sistema é como contratar duas empresas de segurança diferentes para patrulhar seu prédio. Se elas não souberem da existência uma da outra, cada uma pensará que a outra é um intruso. Se você tiver sorte, as instruções delas serão apenas para relatar atividades suspeitas.

Então, o recado é esse: ter dois antivírus no mesmo computador não é uma boa ideia. Se um não estiver te atendendo, é melhor trocá-lo em vez de complementá-lo com uma solução concorrente. Uma possível exceção está no Microsoft Defender, mas por uma razão interessante: normalmente, essa solução se desativa sozinha quando reconhece que um antivírus desenvolvido por outra companhia é instalado no Windows.

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