Quinta-feira, 22 de outubro de 2026 · São Paulo

Marido doa rim para esposa com doença crônica no Acre

Após 15 anos juntos, casal realizou transplante renal intervivos na Fundação Hospitalar do Acre no último sábado.

Em resumo

  • Marido doa rim para esposa com doença renal crônica no Acre.
  • A cirurgia ocorreu no último sábado na Fundhacre, em Rio Branco.
  • O procedimento foi o segundo transplante renal intervivos no Acre em 2026.

O amor e a parceria de 15 anos ganharam um novo significado para o casal Elaine Aparecida Silva Leal, de 40 anos, e Luiz Miguel Pereira, de 43. Após anos convivendo com a doença renal crônica (DRC) da esposa, Luiz conseguiu realizar o desejo de doar um rim para ela. A operação ocorreu no último sábado (17), na Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), em Rio Branco.

O procedimento marcou o segundo transplante renal intervivos feito no Acre em 2026 em menos de dois meses. O primeiro foi do adolescente Lucas Linhares, de 14 anos. Conforme Elaine, a descoberta da doença renal começou no início do relacionamento com Luiz, em 2011. Ao longo de 15 anos de casados, o esposo acompanhou de perto os desafios impostos pelo tratamento de Elaine, que passou a incluir sessões de hemodiálise em agosto de 2024.

"Eu acho que ter oportunidade de receber esse rim vindo do meu esposo é um privilégio e veio para a gente acabar de se completar", ressaltou Elaine. Mesmo diante das dificuldades, a expectativa para o transplante trouxe esperança à família, que é de São Francisco do Guaporé, em Rondônia.

"Quando meu esposo falou que podia doar para mim, nossa, foi uma felicidade sem explicação", contou Elaine. O transplante renal intervivos é realizado quando uma pessoa viva doa um dos rins para outra. A possibilidade depende de uma avaliação médica criteriosa, que considera a compatibilidade e as condições de saúde tanto do doador quanto do receptor.

A possibilidade de receber um rim do marido nem sempre pareceu viável. Durante a preparação para o transplante, o casal chegou a acreditar que a diferença entre os tipos sanguíneos poderia impedir a doação. Luiz tem o tipo sanguíneo O+, enquanto Elaine é A+. Luiz contou que já acompanhava a esposa nas consultas e no tratamento desde o início do relacionamento. Para ele, a possibilidade de doar o órgão surgiu como uma forma de ajudar a companheira a enfrentar a doença.

"A equipe ainda viu a possibilidade dela receber o rim de uma tia, mas depois de alguns exames, eles acabaram não recomendando o procedimento em razão da idade dessa tia, que já é uma senhora que inclusive tem outros problemas de saúde. Quando soube que seria eu, foi alegria", compartilhou Luiz.

Com a possibilidade de transplante entre o casal, os exames confirmaram que Luiz poderia seguir com a doação. A doença fez parte da história dos dois desde o início do relacionamento, mas não impediu que construíssem uma família. Eles têm uma filha. A paciente também destacou que precisou aprender a lidar emocionalmente com a doença ao longo dos anos. Segundo ela, apesar das dificuldades, a adaptação à rotina de tratamento foi acontecendo gradualmente. Agora, a expectativa é de que o transplante proporcione mais qualidade de vida e novas possibilidades para a família.

Para Elaine e Luiz, porém, a cirurgia tem também um significado pessoal: a oportunidade de enfrentar juntos uma nova etapa da vida, depois de anos de convivência com a doença renal. "Agora somos um só e vamos completar nossa família, cada um com uma parte", celebrou.

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