Com a aproximação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), é comum que os estudantes sintam o peso das expectativas, o medo de não conseguir uma boa nota e a sensação de que poderiam ter estudado mais. Na reta final, porém, tão importante quanto revisar os conteúdos é cuidar da saúde emocional para chegar aos dias de prova com tranquilidade e confiança.
Segundo Elismara Talmas, psicóloga da Rede de Ensino Apogeu, de Juiz de Fora, sentir ansiedade diante de uma avaliação tão importante é uma reação natural e não necessariamente prejudicial. O desafio está em reconhecer quando esse sentimento deixa de funcionar como estímulo e começa a comprometer o bem-estar e o desempenho do estudante. Uma dose de ansiedade pode ser salutar. Ela pode, inclusive, levar o aluno a se preparar mais.
Quando a ansiedade deixa de ser normal?
O ENEM representa, para muitos jovens, a possibilidade de ingressar na universidade e dar os primeiros passos em uma carreira profissional. Por isso, é natural que a prova desperte expectativas não apenas nos estudantes, mas também em suas famílias. De acordo com Elismara, a ansiedade merece atenção quando começa a interferir em atividades essenciais do cotidiano, como dormir, alimentar-se e estudar.
Entre os principais sinais de alerta estão alterações no sono e na alimentação, agitação excessiva, crises de choro, dificuldade de concentração e pensamentos negativos recorrentes. A ansiedade só entra no campo disfuncional quando ela paralisa. Pensamentos como “não vou conseguir” ou “meu esforço não foi suficiente” podem intensificar a insegurança e prejudicar a capacidade de atenção. Quando esses sinais aparecem de forma persistente, é importante que o estudante encontre acolhimento e, quando necessário, apoio psicológico.
A sensação de não ter estudado o suficiente
Uma das preocupações mais frequentes entre os candidatos é chegar à reta final acreditando que deveriam ter se dedicado mais. Para a psicóloga do Apogeu, esse é o momento de mudar o foco: em vez de tentar recuperar todo o conteúdo em poucos dias, o estudante deve reconhecer o caminho percorrido, organizar as prioridades e consolidar o que já aprendeu.
Ninguém vai para uma situação dessa sabendo tudo. Na verdade, eu preciso fazer o melhor uso daquilo que eu construí até aqui.
A recomendação é evitar mudanças radicais na rotina de estudos e priorizar revisões estratégicas, respeitando os momentos de descanso. Nesse processo, professores e familiares desempenham um papel importante ao ajudar o jovem a reconhecer sua evolução, identificar conquistas e valorizar o esforço realizado ao longo do ano.
Comparações e cobranças podem aumentar a pressão
Além das próprias expectativas, muitos estudantes precisam lidar com a pressão por bons resultados e com comparações entre colegas. Embora o incentivo familiar seja importante, cobranças excessivas podem transformar um momento naturalmente desafiador em uma experiência de sofrimento emocional. Elismara ressalta que o resultado de uma avaliação não deve ser confundido com o valor pessoal de quem a realiza.
Esse resultado acadêmico é, sim, fruto daquilo que ele fez até agora, mas não o define enquanto sujeito, enquanto pessoa.
Para ela, o melhor caminho é substituir comparações por conversas acolhedoras. Perguntas simples, como “Como posso ajudar você neste momento?”, podem contribuir mais do que cobranças por desempenho.
Não dá para a gente se medir com a régua do outro.
A escola também tem uma função fundamental nesse processo, ao manter um diálogo próximo com as famílias e oferecer suporte aos estudantes durante a preparação.
O que fazer na véspera e no dia do ENEM?
Nos momentos que antecedem o exame, pequenas atitudes podem fazer diferença para reduzir a tensão e evitar imprevistos. Segundo a especialista, o ideal é preservar uma rotina equilibrada, sem tentar compensar meses de estudo na última hora. Confira algumas recomendações:
- Priorize uma boa noite de sono: evite passar a madrugada estudando e procure deixar o celular de lado antes de dormir.
- Cuide da alimentação: mantenha refeições regulares e prefira alimentos habituais, evitando comidas pesadas ou que possam causar desconforto.
- Organize tudo com antecedência: separe os documentos, os materiais necessários e confira o local de prova para evitar preocupações de última hora.
- Busque atividades agradáveis: reserve momentos para descansar, conversar com pessoas próximas e realizar atividades que proporcionem bem-estar.
- Valorize sua preparação: lembre-se dos desafios superados, dos conteúdos aprendidos e de todo o esforço dedicado aos estudos.
Outro conselho importante é evitar pensamentos excessivos sobre o resultado. Para Elismara, concentrar-se no presente ajuda a diminuir preocupações relacionadas a situações que o estudante ainda não pode controlar. A orientação também vale para o momento da prova: em vez de antecipar o resultado ou pensar nas consequências de uma possível nota baixa, o candidato deve direcionar sua atenção para a questão que está resolvendo.
Deu branco na hora da prova? Saiba como agir
Mesmo após meses de preparação, alguns estudantes podem experimentar a sensação de esquecer tudo o que estudaram ao se deparar com uma questão ou com a própria prova. O chamado “branco” pode ocorrer em situações de estresse e ansiedade intensa, mas não significa que o conhecimento adquirido tenha desaparecido.
É muito comum, em situações de estresse, ansiedade, de medo, a gente ter essa sensação de que: ‘Nossa, esqueci tudo, não sei mais nada’.
Nesses momentos, a psicóloga recomenda interromper brevemente a resolução das questões e utilizar técnicas simples de respiração e autorregulação emocional. Uma estratégia é sentar-se confortavelmente, respirar de maneira lenta e tranquila e soltar o ar gradualmente, procurando direcionar a atenção para o momento presente. O estudante também pode retomar a prova por uma questão que considere mais acessível, evitando permanecer preso à dificuldade anterior. Segundo Elismara, o objetivo dessas estratégias é reduzir a intensidade dos pensamentos negativos e favorecer a recuperação da concentração. Ela destaca, ainda, que técnicas de respiração devem ser praticadas antes do exame, para que o estudante já esteja familiarizado com elas quando precisar utilizá-las.
Preparação emocional também faz parte do ENEM
Para além do domínio dos conteúdos, enfrentar o ENEM exige organização, confiança e capacidade de lidar com situações de pressão. Por isso, o acompanhamento dos estudantes não deve se limitar à preparação acadêmica. O acolhimento emocional, a orientação dos professores e a parceria com as famílias são elementos importantes ao longo dessa trajetória.
No Colégio Apogeu, referência em preparação para o ENEM em Juiz de Fora, essa atenção ao desenvolvimento dos alunos também faz parte do trabalho realizado pela equipe pedagógica e de apoio psicológico. A principal orientação para a reta final é reconhecer o esforço já realizado, respeitar os próprios limites e compreender que uma prova, por mais importante que seja, não determina todas as possibilidades do futuro. Mais do que tentar controlar o resultado, o estudante deve concentrar suas energias naquilo que está ao seu alcance: chegar preparado, cuidar de si e fazer o melhor possível com o conhecimento construído ao longo de sua trajetória.



