O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2026 acontecerá nos dias 8 e 15 de novembro. Com os dias da prova cada vez mais próximos, é necessário se atentar a algumas habilidades que devem ser treinadas além das matérias. Existem pelo menos quatro pontos que podem ser trabalhados até o dia do exame e que envolvem essencialmente a interpretação das questões.
Enunciados extensos, textos de apoio, gráficos, tabelas e situações-problema podem se tornar um verdadeiro empecilho na hora da realização da prova, algo que pode tirar pontos e prejudicar a nota final. De acordo com Julia Konofal, autora de conteúdos educacionais da edtech Kultivi, esse tipo de preparação é importante para que o estudante que domina diversos assuntos não se atrapalhe na hora de passar os resultados para a folha de respostas.
“Uma coisa é conhecer o conteúdo; outra é conseguir reconhecer como aquele conteúdo está sendo cobrado. No Enem, muitas questões apresentam informações em textos, gráficos, tabelas ou situações do cotidiano, e o estudante precisa interpretar tudo isso antes de chegar à resposta. Por isso, desenvolver estratégias de resolução pode ser tão importante quanto revisar a matéria“, explica a especialista.
A especialista aponta que as quatro habilidades que devem ser treinadas nos próximos dias são:
1. Interpretação de gráficos e tabelas
Diferentes trechos do Enem possuem grandes gráficos e tabelas que, quando mal interpretados, podem prejudicar a nota. É necessário fazer uma leitura cuidadosa dos títulos, eixos, unidades de medida, legendas e períodos antes de fazer contas ou de passar para a folha o que aquilo representa.
“O primeiro erro é olhar para um gráfico e pensar imediatamente que é preciso fazer uma conta. Muitas vezes, a resposta está na própria interpretação dos dados. O estudante precisa primeiro entender o que está sendo comparado, qual é a unidade utilizada e o que a questão realmente quer saber”, declara Julia.
2. Leitura de enunciados antes de resolver uma questão
Candidatos podem enfrentar desafios nas questões de Ciências da Natureza. Os enunciados podem acompanhar dados, imagens, gráficos ou informações sobre um fenômeno que não precisam ser resolvidos com fórmulas ou conceitos isolados.
“Uma questão pode trazer muitas informações, e nem todas terão a mesma importância para chegar à resposta. Uma boa estratégia é identificar primeiro o comando da questão: o que exatamente está sendo pedido? Depois, separar as informações que são relevantes para resolver aquele problema”, diz a especialista.
3. Interpretação de questões de Ciências Humanas em vez de decorar informações
Questões de História, Geografia, Filosofia e Sociologia exigem conhecimento de temas. No entanto, a interpretação dos enunciados vai além da memorização de datas, conceitos e acontecimentos.
“Não adianta reconhecer o nome de um período histórico ou de um conceito se o estudante não consegue relacioná-lo ao contexto apresentado na questão. Em Ciências Humanas, é importante aprender a identificar a ideia central do texto, compreender o contexto e perceber qual conceito ou conhecimento está sendo mobilizado”, explica Júlia.
4. Aplicação de método na redação, em vez de inspiração
Na hora de fazer a redação do Enem, o candidato precisa compreender a estrutura exigida, organizar argumentos, desenvolver uma linha de raciocínio e construir uma proposta de intervenção de acordo com os critérios de avaliação. A especialista afirma que esperar por um “tema perfeito” pode ser um grande erro na hora de iniciar a prova. Ela recomenda escrever textos durante a reta final e depois analisar possíveis erros.
“Não é possível prever exatamente qual será o tema da redação, mas é possível treinar as habilidades que serão necessárias independentemente do assunto. Estrutura, argumentação, repertório, coesão e proposta de intervenção podem ser trabalhados antes da prova”, declara.
A estratégia deve ser aliada na hora de estudar e trabalhar as próprias habilidades. Nos últimos dias antes do Enem, é importante fazer revisão, resolver questões e analisar erros recorrentes. Além disso, observe o tempo gasto em cada questão conforme elas são resolvidas durante os estudos. Quanto mais prática, mais fácil fica de conseguir identificar padrões.
“Na reta final, o estudante não precisa apenas se perguntar: ‘o que ainda falta estudar?’. Também vale se perguntar: ‘o que eu preciso aprender a fazer melhor na prova?’. Essa mudança de olhar pode ajudar a tornar o estudo mais direcionado e aproveitar melhor o tempo que ainda existe”, conclui Julia Konofal.



